Cinco trabalhadores das reservas indígenas de Laranjinha, Barão de Antonina, Apucaraninha e São Jerônimo da Serra se juntaram esta semana, a outros agricultores e participaram do curso de tratorista no Centro de Treinamento Agropecuário (CTA), da Faep, em Ibiporã. Não é a primeira vez que representanes dos povos indígenas participam de cursos do Senar/PR. Um dos pontos fortes desses trabalhadores é o interesse em aprender. Eles colocam o fator segurança em primeiro lugar.
Dos 42 cursos que o Senar-PR ministrou no primeiro semestre deste ano envolvendo 7.903 agricultores, filhos de agricultores ou empregados, um dos mais procurados é o de tratorista. Os cursos vão desde apicultura, carnes defumadas, informática até doma racional de cavalos para o trabalho.
Através dos cursos de tratoristas já foi possível entre outros benefícios: a) reduzir o número de acidentes, um dos objetivos principais do curso; b) aumentar a vida útil de máquina, c) reduzir despesas com reposição de peças e economizar combustíveis, d) reduzir a compactação em plantio direto ou convencional.
Esses cursos são ministratos principalmente nos Centros de Treinamento Agropecuários (CTAs) da Faep em Assis Chateaubriand e Ibiporã. O conteúdo do curso dá ênfase à prevenção de acidentes e normas de segurança, mas o resultado dos outros itens como cuidados com o solo, manutenção e regulagem, e conhecimento sobre as máquinas tem apresentado uma fantástica. Quem garate é o instrutor Alcione José Ristof. Em nove anos de Senar ele deu cerca de 500 cursos, com média de 13 alunos cada. Ao todo são 16 os instrutores apenas para os cursos de tratoristas. Mais de 6,5 mil pessoas já fizeram o curso e com certeza estão fazendo melhor uso dos equipamentos, conforme o técnico.
Segundo Ristof, além de ''aprender fazendo'', os operadores de máquinas vão criando uma consciência ambientalista e de prudência no uso do equipamento. Estudos sobre os benefícios dos cursos, um ponto que se destaca é a economia.
''É natural que alunos que nunca passaram por um curso cheguem aqui com alguns vícios - conta o técnico - mas nós não queremos expor suas falhas. O importante é como deve fazer daqui para frente. A mudança é imediata''.
''Alem de maximizar o uso do potencial que a máquina oferece, o aluno sai com amplo conhecimento das normas de segurança e manutenção preventiva. E deixam de expôr o solo aos efeitos da erosão'' - garante.
Interesse do índio - Os trabalhadores das reservas indígenas já chegaram à conclusão que pilotar um trator ou uma colheitadeira requer muito mais do que interesse em produzir. É preciso ter técnica. Todos mostram muito interesse e têm facilidade para aprender, segundo seus colegas.
Adilson Carneiro, de São Jerônimo da Serra faz o curso pela segunda vez, buscando aperfeiçoamento. Ele conta que nas comunidades indígenas quem fez o curso ''mostra grande diferença''.
Adilson concorda com as vantagens dos cursos, mas no caso dos povos indígenas, inicialmente o que mais interessou e surtiu efeitos, segundo ele, foi o fator segurança. Hoje os operadores têm muito mais noção do perigo que é comandar um trator. Sabe dos riscos para ele e para as outras pessoas e não facilita muito. Ele tem conhecimento, por exemplo, que problemas de alcoolismo (que não ocorrem apenas nas comunidades indígenas mas com muitos operadores) deixaram de existir quando há a presença de uma máquina no trabalho.
Acidentes - O Brasil tem altos índices de acidentes com máquinas agrícolas. Muitos nem aparecem nas estatísticas, pela forma como são solucionados. Uma das causas está relacionada ao uso intenso dos equipamentos e a consequente presença de equipamentos velhos, com baixa manutenção.
Enquanto na Inglaterra há um trator para cada 12 hectares; nos EUA, um para 38 há, na Argentina um para 89 há, no Brasil a relação é mais alta: um trator aqui tem que dar conta de 103 há. Se o trator não recebe a necessária manutenção, o operador nem sempre está em boas condições físicas para operar. Isso tem que ser levado em consideração, em nome da segurança e da eficácia do trabalho.


RESULTADOS
Alguns benefícios relacionados nas avaliações sobre resultado dos cursos, a partir de relato dos próprios alunos:
- Conhecimento das normas de segurança e redução de acidentes com máquinas,
- Menos erosão, porque o solo - mesmo no plantio convencional - deixa de ser exposto ao escorrimento da água,
- Economia no uso de defensivos, através de regulagem de bicos, etc
- Fim do desperdício de fertiizantes através da regulagem e manutenção da plantadeira/adubadeira,
- Melhor manutenção dos componentes, redução da reposição de peças, economia na manutenção.
- Redução no uso de combustíveis,
- Maior valor de revenda do trator, arado, plantadeira ou colheitadeira. No caso do trator, estima-se em 30% o aumento do chamado valor residual.

mockup