Para a Sadia, a situação retratada por Brustolin estaria longe da realidade. Em nota, a empresa informa que um estudo realizado por um instituto de pesquisa independente com 1.404 integrados, no final do ano passado, constatou que 79,8% dos produtores de frangos de corte da Sadia estão satisfeitos ou muito satisfeitos com a atividade e 33,3% têm interesse em ampliar seus negócios. Por fim, 73,2% declararam que recomendariam a atividade para algum parente ou amigo.
A empresa alega que sua equipe técnica tem trabalhado próximo a todos os integrados na busca da eficiência de produção e dos resultados econômicos. Não é o que informou à reportagem um avicultor da região que preferiu não se identificar, por medo de sofrer represálias da integradora. Ele conta que, no início, se sentia bastante valorizado e por esse motivo ingressou na atividade. Agora, fica no ramo para não perder o capital já investido.
''A integradora não aceita discutir depreciação. A maioria dos avicultores trabalha em caráter familiar e antes tinha outras atividades na propriedade. Hoje estão presos à avicultura. De um lado está o banco cobrando os empréstimos e do outro a empresa cobra também'', afirma. Sobre os investimentos em tecnologia, o avicultor argumenta que é uma exigência da integradora. ''Outras atividades não precisam de tanto investimento. Nessa, se a pessoa não quiser investir, não tem como ficar'', conclui.
O Sindiavipar explica que as empresas têm liberdade para adotar a sua própria política de pagamento aos produtores integrados e cabe ao sindicato orientar pela sustentabilidade e produtividade do setor. Domingos Martins ressalta que o sistema de produção integrada é um dos principais diferenciais para o sucesso da atividade avícola no Paraná.
''A atividade desenvolveu um intenso trabalho para a aplicação do conceito de industrialização e comercialização em todo o processo de produção. Com esses fatores reunidos, hoje o Paraná detém um padrão de qualidade que é diferencial na busca por novos mercados, fruto também de investimentos em genética, manejo, ambiência e sanidade''.
E a solução para essa questão, na opinão de Brustolin, é a valorização do produto, seja da parte da indústria ou do consumidor. ''Do jeito que está, eles terão dificuldade de arranjar produtores. Vinte por cento das propriedades já estão à venda'', prevê. (M.R.M.)

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