Índia, China e Austrália reaquecem mercado do açúcar
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sexta-feira, 22 de maio de 2009
Renato Oliveira<br> Reportagem Local 
Depois do colapso que o setor sucroalcooleiro com a queda no preço do etanol respingado pela crise econômica no mercado americano , o tom agora é de recuperação. Considerados importantes produtores de açúcar, Índia, China e Austrália vivem um momento de queda nas respectivas safras e atender a esta demanda rendeu às exportações brasileiras a monta de 1,11 milhão de toneladas em abril. O incremento foi 44% sobre as 768 mil toneladas sobre o embarque no mesmo mês de 2008.
Isso abriu espaço para o nosso açúcar. Como trabalhamos com bons preços, por conta dos nossos custos de produção que são menores se comparados aos de outros países produtores, abriu essa chance de fazer negócio com eles, analisou Anísio Tormena, presidente da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Paraná (Alcopar).
Segundo Antônio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da União Brasileira dos Produtores de Cana de Açúcar (Unica), também é possível notar uma queda na produção açucareira na Europa e Tailândia. Há um déficit e o Brasil tem condições de sobra para atender a demanda. Essa é a chance dos usineiros recuperarem os prejuízos do etanol, aposta Pádua.
Desde novembro passado o preço do açúcar no mercado interno é crescente e nesta semana estava cotado acima de R$ 44,00 (vide gráfico). Já no mercado externo, a última cotação disponível é de abril e totalizou R$ 33,00 e, mesmo com valor menor que o de março passado quando somou mais de R$ 39,00, a tendência é de alta devido ao aumento na demanda externa.
Outro detalhe que pode fazer diferença no futuro, mais precisamente na safra 2010/11, é a queda na produção brasileira. Os impactos da crise espantaram aqueles produtores menos flexíveis, que focaram no etanol em detrimento do açúcar e que agora estão à beira da falência. Aqueles que sabem trabalhar com os dois lados da produção estão conseguindo se recuperar. Os que focaram apenas no etanol ainda passam por sufoco, arremata Tormena.


