O Instituto Nacional de Desevenvolvimento Agropecuário (INDEP), fundado por um grupo de técnicos e empresários paranaenses em outubro do ano passado, será reconhecido oficialmente, no próximo dia 10, pelo Ministério da Agricultura, como empresa certificadora. O presidente do INDEP, o médico veterinário Marcelo Vezozzo, tem audiência marcada com o secretário de Defesa Sanitária, Maçao Tadano, para tratar do assunto. O Instituto já recebeu o Certificado Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) ou seja já tem o reconhecimento do governo como empresa do setor.
O sonho de criar um órgão com esse objetivo começou dez anos atrás, quando Marcelo Vezozzo, o seu presidente, fazia curso na França sobre melhoramento genético e cadeia produtiva dos bovinos, que começa com o aprimoramento da genética e vai até a carne destinada ao consumidor. Surgiram então na Europa os casos de vaca-louca (Encefalopatia espongiforme bovina) e, naquela oportunidade, a associação dos criadores de Limousin, com aval do governo francês, implantou o primeiro sistema de rastreabilidade no mundo.
''O sistema que vamos operar é a gestão completa do rebanho; vai do nascimento ao abate'' - afirma o empresário Marcelo Vezozzo - mas inclui outras variáveis de serviços. O INDEP foi formatado em cima de vários modelos europeus que têm dado certo; esses modelos passaram por erros e acertos e são o que há de mais eficaz. Sem fazer críticas diretas aos métodos vigentes, Marcelo Vezozzo concorda que a forma feita hoje - em que os animais são rastreados na boca dos frigoríficos - é muito falha.
Vezozzo fala com a experiência de quem estudou todos os modelos implantados na Europa e Canadá. Diferente da França, a gestão da rastreabilidade na Inglaterra é delegada para uma empresa terceirizada que presta serviço ao governo. A partir do momento em que os animais são comercializados o Meat Livestock Comission analisa a rastreabilidade e emite o certificado de reconhecimento. No Canadá a agência encarregada desse trabalho adota os chips com números do lote apenas, sem discriminar o sexo do animal. É de fácil localização e identificação.
As atividades do INDEP, no entanto, irão além das atribuições de uma empresa certificadora. Ele está estruturado para atuar nas áreas de difusão, capacitação técnica e gestão de produtos de origem animal e vegetal.
O INDEP está preparando convênios com países que têm tecnologia avançada em rastreamento e certificação. Eles facilitam o acesso à tecnologia porque, como órgãos de governo, têm interesse melhorar a sanidade da carne.
''O acesso a esta experiência acumulada, mas relativamente nova, é facilitado pelo fato de o INDEP ser um órgão prestador de serviços, sem fins lucrativos'', afirma o empresário. A rastreabilidade e certificação constituem apenas uma de suas atividades.
No caso da Difusão de tecnologia, os convênios - já firmados - são com instituições de pesquisas nacionais do governo e empresas privadas.
Um dos primeiros trabalhos do INDEP está em andamento: uma prospecção sobre o potencial do Estado do Paraná como exportador de carne bovina.

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