O superintendente adjunto do Incra no Paraná, Carlos Almeida, avalia que insucessos como o do Rondon 3 decorrem da falta ou equívocos de planos de desenvolvimento dos assentamentos mais antigos. ''Não é só em Bituruna que existe isso, pois os assentamentos mais velhos se localizaram em áreas difíceis, acidentadas, sem um plano de desenvolvimento adequado e nem mesmo com a alocação de recursos necessários para financiar as atividades das famílias atendidas pelos projetos de reforma agrária'', argumenta. Segundo ele, a estimativa é de que 60% dos assentamentos do Paraná tenham problemas em graus variados, da infra-estrutura à comercialização.
Almeida adianta que, para reparar os equívocos, o governo vai investir em projetos de recuperação dos assentamentos problemáticos. Neste ano serão feitos os levantamentos nas áreas para saber das carências de cada uma e elaborar o plano de revitalização, que passa pela capacitação do agricultor, se for o caso. ''Os recursos para isso já estão previsto no plano plurianual do governo federal e serão destinadas, a partir do ano que vem, para as áreas críticas, como essas de Bituruna, de General Carneiro, mais ao sul do Estado, como também a alguns assentamentos da região central'', informa.
Almeida diz ainda que a rotatividade de 20% da posse nos assentamentos do Paraná deve ser considerada normal, pois, de acordo com levantamento da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), realizado há cerca de cinco anos, este índice é tido como tolerável. ''Mas estamos fazendo o levantamento de lote por lote em cada área para saber a situação, visando à moralização dos assentamentos, pois a venda de lote de reforma agrária é um atentado ao próprio trabalhador. Por isso, onde se constatar que existe isso, o Incra pedirá reintegração de posse e destinará a área para outras famílias'', afirma.

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