Incentivo para plantio no arenito
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 17 de julho de 1998
Marcos Zanatta 
A Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas de Maringá (Cocamar), está incentivando o cultivo de soja nas regiões de arenito caiuá, solo predominante na região Noroeste do Estado. A idéia, explica o presidente da Cocamar, Luiz Lourenço, é promover uma integração entre a agricultura de ponta e a pecuária, para melhorar as condições de pastagens, ampliar a produção de grãos e garantir mais emprego, mais renda ao produtor e mais impostos aos municípios.
Hoje a soja ocupa cerca de 2,4 milhões de hectares em todo o Paraná, enquanto a região de arenito possui aproximadamente 3 milhões de hectares. Temos condições de ampliar a área de soja sem necessidade de investimentos na abertura de novas fronteiras agrícolas, defende o diretor-técnico da cooperativa, José Roberto Gomes. Ele explica que a região de arenito já passou por diversas fases, desde a colonização com o café.
Agora as áreas de areia sofrem um processo de empobrecimento e até de desertificação com a pecuária. Dados da Emater mostram que a ocupação dos pastos é baixa em pelo menos 70% da região. Enquanto a média considerada ideal seria de 3 a 4 cabeças de gado por hectare, a maior parte das propriedades conseguem manter apenas 0,6 cabeça por hectare no Noroeste. A integração poderia mudar o quadro atual, aposta Gomes.
ArrendamentoO sistema, segundo ele, garante retorno na certa. O pecuarista que não tiver interesse ou condições de investir na lavoura, pode arrendar a área para agricultores tradicionais, que dominam a tecnologia necessária. Como no arenito o solo apresenta condições mais favoráveis à erosão, é preciso adotar o plantio direto. O planejamento deve ser feito em cima do número de cabeças existentes na propriedade. Em média um terço da área é destinado à lavouras e o restante permanece com pastagens.
Na primeira safra o custo é mais alto, devido às necessidades de reposição de fertilidade e preparo do solo. Mas os resultados são compensadores. Gomes diz que em áreas experimentais, onde o plantio seguiu a tecnologia recomendada, o rendimento ficou entre 120 a 130 sacas de soja por alqueire, ou 50 a 60 por hectare. Média alcançada em áreas de plantio no solo roxo. No inverno, é indicado o plantio de uma lavoura que renda massa verde, como a aveia ou milheto. Bem manejado é possível abrir a área para o pastoreio do gado, garantindo o alimento na entressafra pelo menos para parte dos animais, explica Gomes.
Na última safra, os associados da Cocamar plantaram cerca de 150 mil hectares de soja, e entregaram em torno de 320 mil toneladas. A indústria da cooperativa no entanto está processando 440 mil toneladas. O excedente vem de um acordo feito com a Coamo, de Campo Mourão, que repassa para a Cocamar parte da soja recebida. Com isso a indústria trabalha com capacidade total, e mostra que tem condições de absorver um crescimento significativo na área de plantio. Temos como atender uma área maior desde a assistência técnica até armazenagem e exportação do grão ou de sub-produtos, afirma Gomes.
IndústriaA indústria Monsanto, junto com a Universidade Federal do Paraná, são as pioneiras na experiência de introdução das lavouras de soja no arenito. A empresa iniciou projetos de integração agricultura/pecuária há cerca de dois anos, e vem investindo pesado em tecnologia para melhorar o rendimento das duas atividades. O agrônomo Antonio Garcia de Souza, da Monsanto, acha que os dados da Emater são conservadores em relação às condições das pastagens na região Noroeste. A Emater calcula que 60% dos pastos na área de arenito estão degradados.
Ele lembra que o Noroeste passou por vários processos de exploração, mas nunca um integrado como agora, com agricultura e pecuária. Souza descarta também a idéia de reforma de pastagens como as adotadas até agora, com milho ou algodão na safra de verão. O sistema não tinha continuidade, como a proposta que estamos trazendo com a soja, diz. A intenção agora não é apenas melhorar as pastagens, mas criar um modelo para o desenvolvimento sustentável da propriedade, que vai garantir o retorno econômico.
De imediato, segundo Souza, o retorno é baixo devido a necessidade de reposição das condições de fertilidade do solo. A médio prazo, no entanto, o ganho vem com a lavoura, com uma pastagem melhor e com o ganho de peso da criação. Mesmo nos meses de entresafra graças ao aproveitamento das áreas de agricultura com alimento para o gado. Depois de dois ou três anos de lavoura, o pasto é replantado na área recuperada. Bem manejado, o pasto vai suportar uma lotação adequada por muitos anos.


