Marcos NegriniNos viveiros comerciais, cada muda custa em média R$1,00O mapeamento das regiões indicadas para o plantio de pupunha, espécie de palmeira que produz um palmito de qualidade superior ao assaí, vai incentivar o cultivo de lavouras comerciais no Estado. Depois de 10 anos de pesquisa o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e a Emater querem agora viabilizar o financiamento para a cultura.
O maior atrativo para a pupunha no entanto são as vantagens que a lavoura oferece em relação às espécies tradicionais de palmito, como a jussara, praticamente fora do mercado e a assaí, que também está ameaçada de desaparecer por causa da falta de um planejamento na exploração.
VantagensA primeira vantagem é que a pupunha não sofre nenhuma proteção ambiental, como ocorre com outras espécies de palmito, por ser considerada hortaliça. A planta da pupunha também tem um manejo diferenciado. Ao invés de exigir sombreamento, como a jussara e o assaí, a cultura deve ficar em áreas abertas. A produção também é mais precoce, entre 18 a 24 meses contra oito a 12 anos dos outros palmitos, com a vantagem da pupunha permitir um corte por ano. ‘‘O palmito da pupunha também não oxida, não fica escuro como o extraído das outras palmeiras’’, diz o agrônomo Cirino Corrêia Júnior, da Emater de Curitiba.
Ele conta que a pupunha é uma espécie de palmeira da região amazônica entre Brasil e Peru, explorada pelos índios que trouxeram a cultura próxima às aldeias. Com o fim do palmito jussara, as indústrias e exploradores começaram a extrair o assaí, que também corre o risco de desaparecer. Para Corrêia o palmito da pupunha fica entre os dois mais populares. ‘‘O sabor é um pouco mais adocicado que o jussara, mas superior ao assa풒, afirma. Como o mercado está se abastecendo com a variedade assaí, existem condições ideais para a expansão da pupunha.
Campos experimentaisNo Paraná foram instalados campos experimentais em diversas regiões. A cultura se desenvolveu melhor nas regiões Norte, Noroeste e Litoral. Corrêia explica que a palmeira da pupunha é uma planta rústica, que não encontra dificuldades de mesmo em solos de pouca fertilidade, mas depende muito de água. De imediato a planta requer um preparo adequado do solo, com adubação das covas e correções que variam conforme as necessidades de fertilidade, avisa Corrêia. A lavoura deve também ser roçada conforme a necessidade de controle de invasoras, e aceita bem a adubação orgânica.
Em média são cultivadas 5 mil plantas por hectare, que vão garantir uma produção de cinco a doze mil palmitos por ano em cada hectare. A diferença de produtividade se deve à média de várias colheitas. Como a pupunha rebrota com vários perfilhos, que devem até ser manejados para melhorar o rendimento da planta, a tendência da produção é crescer. ‘‘No primeiro corte cada pé dará apenas um palmito, mas vai dar várias rebrotas. O ideal é manter pelo menos três perfilhos’’, orienta Corrêia. Outra vantagem do palmito da pupunha, segundo ele, é que as ‘‘ponteiras’’, as partes que são desprezadas no assaí, podem ser processadas.
ImplantaçãoPara mostrar as vantagens da cultura no campo, contando os custos de implantação e manutenção da lavoura, o agrônomo Francisco Paulo Chaimsohn, do Iapar de Ponta Grossa, fez algumas projeções que podem orientar o produtor. Foram simuladas duas situações. A primeira com 5 mil plantas em um hectare mecanizado, com fertilidade média do solo e produção de mudas próprias. ‘‘O agricultor tem que estar atento para as sementes utilizadas, que se forem de baixa qualidade podem causar grandes prejuízos’’, alerta. O custo de implantação seria de aproximadamente R$6 mil.
No caso do produtor optar pelas mesmas condições da lavoura anterior, mas sem manejo mecânico e comprando as mudas, o custo cai para R$3,2 mil o hectare. ‘‘Esse valor representa apenas o custo de implantação da lavoura’’, explica Chaimsohn. O custo de manutenção, a partir do segundo ano, será de R$300 segundo a simulação do agrônomo do Iapar, subindo para R$420 a partir do terceiro ano, por causa da queda de fertilidade do solo. Nessa fase no entanto, lembra ele, a lavoura começa a produzir o que garante um retorno ao agricultor.
Em outra simulação, Chaimsohn colocou 3.300 plantas em um hectare, o que daria um custo de R$5 mil contando com a compra da muda, e de R$3 mil com muda própria. O custo de manutenção seria no entanto mais alto, de R$540 até o terceiro ano, subindo depois para R$700. Ele observa ainda que conforme a planta da pupunha cresce, reduz a necessidade de roçada na lavoura. Outro detalhe é que com o início da colheita, a parte não utilizada da planta deve ficar na lavoura, garantindo a reposição de nutrientes ao solo.
MudasCada palmito de pupunha retirado leva entre 15% a 20% de nutrientes do solo. Os outros 80 a 85% podem ser devolvidos com os restos da cultura que ficam nas ruas da lavoura. Chaimsohn alerta ainda sobre os riscos de produção da muda. Em média um quilo tem 400 sementes e custa entre R$16 e R$ 25. Para quem vai plantar 5 mil plantas por hectare, precisa de pelo menos 7 mil mudas. ‘‘A pupunha é uma planta perene, que tem uma vida útil de pelo menos 10 anos, e por isso o agricultor precisa ter garantia de mudas sadias’’, alerta. Nos viveiros comerciais cada muda custa em média R$1,00.
Se todos os fatores forem levados em consideração, Chaimsohn calcula que a partir do quarto ou quinto ano a lavoura de pupunha começa a dar resultados. ‘‘Na segunda colheita o produtor paga o investimento’’, arrisca. O preço do palmito de pupunha está hoje em R$2,00 por peça, contra até US$12,00 do assaí, que tem mercado externo. Se o produtor colher o mínimo de 3 mil palmitos por hectare, terá uma renda de R$ 6 mil, que seria o custo de implantação da lavoura.
Os técnicos garantem que o produto tem mercado. Hoje, 90% da produção nacional, cerca de 110 mil toneladas, vai para o consumo interno, e uma pequena parte é exportado. Mesmo assim o Brasil é o maior exportador de palmito, o que mostra o potencial de consumo em países desenvolvidos. O produtor pode ainda agregar valores, se unindo em grupos para a elaboração de conservas ou reaproveitamento máximo da planta, garantindo um lucro ainda maior.

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