Cafezal degradado e improdutivo, na região de MaringáO Brasil é o país mais agressivo na briga pelo crescimento do mercado mundial de café, e o Paraná o Estado que está agindo de forma mais correta no incentivo à cultura. Até o final do ano, apenas na região de Maringá, a meta dos municípios e do Governo do Estado é plantar 15 milhões de mudas, ou 1.500 hectares de café adensado. Apenas o município de Maringá venderá a preço de custo, para pequenos cafeicultores, 400 mil mudas até dezembro, e a meta é 2 milhões de mudas ao ano.
O secretário de Agricultura de Maringá, Jaime Dallagnol, acredita que o incentivo alcançará entre 80 e 100 produtores no município. ‘‘Nossa meta é diversificar a pequena propriedade com uma cultura que traga retorno financeiro e renda empregos’’, explica. A Prefeitura de Maringá vende o milheiro de mudas a R$80,00, contra os R$200,00 em média cobrados pelos viveiros, que nem sempre garantem a qualidade do produto. ‘‘Vamos trazer o Paraná do quinto para o segundo lugar entre os maiores produtores de café do Brasil’’, exagera Dallagnol.
Marcos NegriniSoluçãoCafezal adensado, o caminho da alta produtividade e da qualidade da cafeicultura paranaense
ÂnimoEle se apóia nas vantagens apresentadas até agora no sistema adensado para embasar o ânimo em relação à cultura. Dallagnol explica que o sistema de plantio adensado começa com a mudança de comportamento do produtor. ‘‘Tudo muda em relação ao plantio convencional, e o produtor tem que estar ciente disso’’, avisa. Para isso, segundo ele, os órgãos de extensão e os municípios estão reciclando o pessoal técnico e os agricultores que pretendem entrar na cultura.
A primeira diferença, diz o secretário, é a densidade das lavouras. Enquanto no café adensado são plantados de oito mil a 10 mil pés por hactare, no sistema tradicional são em média 1.500 plantas por hectare. As variedades também devem ser específicas. Entre as mais procuradas estão a Iapar 59, catuaí, icatu e mundo novo, sempre em áreas isentas de nematóide e outras doenças comuns do café. A colheita deve ser feita no pano, o que possibilitará um grão de qualidade superior e um mercado garantido, afirma Dallagnol.
Com um manejo adequado, o café adensado garante produtividade. Enquanto nas lavouras de plantio tradicional o rendimento é de 10 a 12 sacos de grão limpo por hectare, no adensado a média aumenta de 80 para 110 sacas por hectare. ‘‘A partir do terceiro ano o café ‘fecha’, o que dificulta o manejo. Por isso é preciso fazer uma decepa, mas que não afete em muito a produção’’, explica Dallagnol. Ele compara a decepa a uma geada média, que chega a diminuir a produção, mas não afeta a lavoura como um todo.
QualidadeO presidente da Comissão Nacional do Café, Manoel Vicente Bertoni, que esteve em Maringá na semana passada para um encontro de café adensado, acha que o Paraná está agindo de forma correta no incentivo à cultura. Ele compara que o café é explorado por cerca de 35 países subdesenvolvidos, e o Brasil é o que apresenta melhores condições de absorver o crescimento de mercado que está ocorrendo em todo o mundo. ‘‘Para isso, no entanto, é preciso manter um nível de qualidade e estar presente onde existe mercado’’, afirma.
Ele calcula que o consumo internacional de café cresce entre dois e 2,5% ao ano, e o consumo interno até mais que essa média. Bertoni revela que hoje, entre exportação e consumo, o Brasil necessita de 29 milhões de sacas, contra uma produção em torno de 19 milhões. ‘‘Vamos acabar com os estoques do Governo e é preciso ampliar a produção o quanto antes, para suprir o mercado’’, avalia. Ele explica que hoje o Conselho e o Governo discutem um estoque regulador, que deve ser bem abaixo do que existe nos armazens do extinto IBC.
Segundo Bertoni, o Paraná está agindo de forma correta por incentivar a cafeicultura de forma racional, diversificando as pequenas propriedades e exigindo tecnologia para a cultura. Nos demais Estados, apesar do crescimento do plantio, não existe muito adensado. ‘‘O importante é que o produtor está assumindo o investimento e o risco, ciente de que existe um mercado para o café com qualidade’’, afirma.
Para o agrônomo Romualdo Faccin, da Emater regional de Maringá, a vantagem do café adensado é a produção média boa todo ano. Ele revela que este ano a Emater já deu 47 cursos para orientar os produtores que estão apostando no sistema adensado. ‘‘Existe mercado para o café de qualidade’’, avisa. Faccin lembra que as duas maiores indústrias de café solúvel, produto para exportação, estão no Paraná. O Estado tem ainda 150 marcas de cafés moídos no mercado, e a produção do campo não consegue abastecer o mercado interno. ‘‘Podemos incentivar a cafeicultura, porque hoje não abastecemos nem o mercado local’’, afirma.
Ele acredita que a ‘‘febre’’ do café adensado tende a sofrer uma redução a partir do momento em que os preços chegarem na média de R$120,00 a saca. Hoje o mercado está pagando até R$210,00. O secretário Jaime Dallagnol aposta no café mesmo a R$ 90 a saca. Ele diz que o custo de produção fica em torno de 40 sacas por hectare. ‘‘Mas, bem manejada, a lavoura adensada vai render pelo menos 80 sacas por hectare, garantindo o lucro do produtor’’, afirma.
O presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Ágide Meneguette, acha que o café adensado pode ser um dos caminhos para salvar o pequeno e médio agricultor no mercado globalizado. ‘‘No Paraná 95% das propriedades têm menos de 200 hectares, e o café como diversificação vai beneficiar boa parte dos agricultores que não têm uma renda compatível com as necessidades de investimentos’’, diz ele. Para Meneguette o café adensado não vai fazer fortuna da noite para o dia, como ocorreu no passado, mas garantir a manutenção das pequenas propriedades.

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