Incentivo à produção de qualidade
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 16 de outubro de 1998
Cláudia Barberato 
Cinco produtores de café do município de Londrina tiveram seus trabalhos de cultivo, condução da lavoura e colheita premiados sexta-feira, 9, durante o dia-de-campo Implantação do Café Adensado, com o encerramento do 1º Concurso Qualidade Café de Londrina. Foi na Via Rural, no Parque de Exposições Ney Braga, onde se reuniram 100 produtores do município. Do concurso de qualidade participaram 44 produtores.
João Scaloni Fassula foi o primeiro colocado no concurso, seguido por Dionízio Gazziero, em segundo lugar; Luiz Tacao, o terceiro; Aparecido Sérgio Fávaro, em quarto lugar e Maurício Ribas Guimarães, em quinto lugar. O prêmio para o primeiro colocado será a venda do lote bom de sua produção para uma torrefadora londrinense, com ágio de 10% sobre o preço de mercado do café. Os outros classificados foram premiados com insumos, adubos, produtos de tratamento, composto orgânico, entre outros.
IncentivoO dia-de-campo e o concurso serão anuais, garante o agrônomo da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento, Jeferson Hernandez. O objetivo, segundo ele, é incentivar os produtores a melhorarem cada vez mais sua produção; além de mostrar que o Paraná produz café de boa qualidade. Sempre se falou no mercado que o Estado não produz café tão bom quanto Minas Gerais e São Paulo, o que não é verdade. Mesmo sendo bebida dura é o Estado que pega preço mais baixo nas bolsas de mercadorias, diz Hernandez.
Outro objetivo, segundo o agrônomo, é melhorar o treinamento de mão-de-obra para as operações de colheita e secagem do café - dificuldade enfrentada principalmente nas grandes propriedades, em função da ausência das antigas colônias e na contratação, hoje em dia, de trabalhadores volantes. Normalmente, nas pequenas propriedades, essa mão-de-obra é mais familiar e o treinamento é mais fácil.
NematóidesO dia-de-campo funcionou em quatro estações, com demonstração de escolha da melhor área para plantio, análise de solo e nematóide; variedades em função da região; custos de implantação; preparo e plantio; qualidade da muda; mercado e comercialização.
Na conversa com os produtores, segundo Hernandez, foi reforçada a importância de fazer análise do solo, para identficar a presença de nematóides, que podem inviabilizar a cultura do café. Antes de implantar a lavoura é importante que o produtor faça análise e as correções necessárias, além de verificar a presença de nematóides na área. Muitos produtores nem sabem o que é, comenta.
Muitas vezes o produtor prepara o solo com alto custo (de R$3 a R$4 mil para plantar um hectare no sistema adensado) e só vai sentir o problema dos nematóides três anos depois, hora em que estaria começando a colher os primeiros frutos. O café não vai produzir. Em áreas com nematóides, segundo Hernandez, é necessário fazer manejo do solo por dois anos com adubação, para entrar novamente com o café.
O Grupo de Trabalho Café para Londrina, composto por técnicos da secretaria municipal, Emater, Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Departamento Nacional do Café (Denac), cooperativas (Integrada e Valcoop), Bolsa de Cereais e Mercadorias de Londrina, firmou convênio com a empresa particular Decisão Tecnologia Agropecuária, para análise de nematóides no solo. Agora o produtor do município poderá fazer o exame na sua propriedade ao custo de R$10,00. Antes do convênio o custo era de R$50,00.Josoé de CarvalhoOs produtores premiados (da esquerda para a direita) João Fassula (1º lugar), Dionízio Gazziero (2º), Luiz Tacao (3º) e Maurício Guimarães (5º). Na premiação o reconhecimento do bom trabalhoPremiação de produtores e dias-de-campo deverão ser anuais para estimular boa produção


