A Emater de Ivaiporã e a Vigilância Sanitária, ligados à Secretaria Estadual e Municipal de Agricultura, desenvolveram um trabalho conjunto para analisar o leite in natura vendido na cidade. Os resultados demonstraram alta contaminação do produto. Das 20 amostras coletadas, segundo a veterinária da Emater, Vitória Vallin, 90% apresentaram contaminação por coliformes fecais animais e humanos, ‘‘o que comprova a falta de higiene na hora da ordenha.’’
O trabalho teve início em maio de 1998 devido à necessidade de se conhecer os índices de produção, consumo e qualidade do leite consumido pela população. Segundo a veterinária, foram cadastrados 42 produtores com uma produção de 2500 litros/dia, entregues diretamente nas casas dos consumidores. Após o cadastramento foram coletadas amostras de leite para se conhecer o nível de contaminação e as características físico-químicas do produto consumido.
A falta de práticas higiênicas adequadas por parte do ordenhador no manejo dos animais, e sujeira nas instalações, foram constatadas pelos casos de mastite subclínica nas vacas ordenhadas. Cem por cento das amostras demonstraram problemas.
Em 10% das amostras foi constatada também contaminação pela bactéria da brucelose, ‘‘uma zoonose (doença que passa do animal para o homem e vice-versa), extremamente perigosa à saúde humana, o que mostra a falta de cuidados sanitários com os animais’’, afirma a veterinária.
Água, sangue e fezesAs análises comprovaram também a adulteração do leite. Em 20% das amostras ocorreu a adição de água. Outro teste realizado foi o da sedimentação, onde se medem as sujidades do leite.
De acordo com a veterinária, em 10% do leite analisado foi constatada uma sedimentação regular, com presença de terra misturada ao produto. Em 40% havia presença de terra e fezes e, em 50%, terra, fezes e sangue.
Outro resultado: 100% das amostras apresentaram resíduos químicos (organofosforados), constatando o uso indiscriminado de pesticidas para combate à mosca-do-chifre, berne, carrapato, vermes e outros parasitas.
De acordo com a veterinária da Emater e os técnicos da Vigilância Sanitária municipal, João Ramiro de Souza e Gisele Freitas Barone, os exames foram divulgados para os produtores envolvidos e líderes locais, que foram alertados para a resolução.
Enquanto os produtores se organizam em associação para a solução definitiva do problema, a Vigilância Sanitária exigiu a apresentação de exames de brucelose e tuberculose de todas as vacas leiteiras. A não apresentação dos resultados destes exames acarretará na apreensão do produto, que será encaminhado ao laticínio local, onde serão realizados os testes de qualidade. ‘‘O produto será pasteurizado e devolvido à Vigilância Sanitária, que o doará a instituições filantrópicas’’, avisam os técnicos.
Serviço de assistênciaParalelamente a esse trabalho, a veterinária avisa que a Emater está prestando um serviço de assistência técnica individual aos produtores, além de cursos de manejo de ordenha, qualidade do leite, sanidade e alimentação. Também será feita uma pesquisa, para se conhecer o nível de conscientização da população em relação ao problema.
A veterinária conta também que o Núcleo Regional e o Departamento Municipal de Educação farão um trabalho de divulgação dos riscos de se consumir leite cru e, em parceria com a Faculdade local, a Univale, junto à população que tem o hábito de consumir o produto sem pasteurização.
Incentivo à organizaçãoOs exames que constataram alta contaminação no leite foram realizados pelo Departamento de Medicina Veterinária Preventiva, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), em parceria com a prefeitura de Ivaiporã, com apoio do Núcleo de Médicos Veterinários Centro do Paraná e Conselho Regional de Medicina Veterinária.
Para a divulgação dos resultados aos produtores, foi organizada uma reunião, coordenada pelas professoras Vanerli Beloti e Márcia Ferreira Barros, da Universidade de Londrina, para expor o problema da contaminação. O passo seguinte foi uma outra reunião com os produtores, que passaram a discutir a possibilidade da formação de uma associação para a pasteurização do leite.
Bom exemploOs técnicos têm usado o exemplo de um grupo de produtores de Maringá que montou uma associação para pasteurizar o leite produzido naquela região. Antes o leite era vendido cru, pelas ruas da cidade. Em outras cidades do Paraná técnicos da extensão oficial também têm incentivado a análise do leite vendido nas ruas e alertado para os perigos de consumo pela população e da desvantagem do produtor em comercializar o leite in natura.
O objetivo é que deixem de entregar o leite cru na rua e invistam na melhoria do produto. Para os produtores que não têm condições financeiras de investir em equipamentos, o conselho é formar associações ou grupos, a exemplo dos produtores de Maringá, para comprar os equipamentos necessários. Em outros pontos do Paraná outros escritórios da Emater estão fazendo levantamentos e análises dos leites produzidos.

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