Incentivo à cadeia como bandeira de luta
Incentivar e dar visibilidade à ovinocultura paranaense tornou-se a bandeira do Sindicato dos Médicos Veterinários do Paraná (Sindivet), no jantar oferecido à imprensa e lideranças para comemorar os 250 anos da medicina veterinária no mundo. O encontro, no Espaço Gourmet de Curitiba, foi uma aula de preparação de pratos sofisticados à base de cordeiro, com a presença de executivos das principais cooperativas do Estado que atuam no setor: Castrolanda, Coopercapanna, Cooperaliança (Guarapuava) e Sudcarnes (Pato Branco).
A parceria com chefes de cozinha é condição importante para a promoção da carne de cordeiro paranaense, avalia o presidente do Sindivet-Pr, Cezar Amin Pasqualin, também coordenador da área de Cadeia Produtiva de Ovinos e Caprinos da Emater. ''Nós queremos aproximar o produtor do consumidor'', avisa. Na opinião dele, é fundamental que os restaurantes, supermercados e açougues entendam a importância de comprar carne de cordeiro com procedência, preferencialmente das cooperativas e marcas consolidadas do Paraná. ''Oferecer a carne com identidade é um diferencial'', comenta Pasqualin.
A intensificação dessa parceria entre o mercado e o criador que atua no mercado formal vai ajudar a amenizar uma das principais dificuldades do setor, que é a concorrência clandestina. Criadores reclamam que falta mais fiscalização pelos órgãos competentes.
Dificuldades
A professora e engenheira agrônoma Alda Lúcia Gomes Monteiro, do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), comenta as principais dificuldades que os criadores enfrentam, além da concorrência desleal com os clandestinos. Ela lembra que como os rebanhos são pequenos no Estado para atender a demanda, o número de matrizes torna-se um limitante para a possibilidade de obtenção de contratos comerciais e a expansão dos acordos que já existem. ''Seria interessante também adequação tributária para a manutenção e a expansão no número de produtores formais, incentivando os que estão organizados em cooperativas'', acrescenta. Na opinião dela é preciso aumentar a oferta de técnicos extensionistas para assistir ao produtor no campo e formar mão de obra especializada.
Pasqualin acredita que todas essas dificuldades contribuíram para afastar o produtor da ovinocultura, aliado a uma migração dos fazendeiros brasileiros para o plantio de soja e milho. O presidente do Sindivet acrescenta que o desenvolvimento do setor depende muito da criação de políticas públicas. ''O papel do Estado e dos municípios é fundamental. Eles têm que acompanhar essa tendência e fazer os ajustes técnicos para o desenvolvimento da cadeia da ovinocultura'', afirma. (A.D.C.)





