Muitos produtores de leite do Paraná não terão condições de atender às novas exigências que passarão a ser cobradas pelas indústrias assim que a nova mudança da IN 51 for imposta. Paulo Hiroki, especialista do Emater de Londrina, explica que um fenômeno que já acontece não só no Estado, mas em todo o País, é a migração dos produtores para cooperativas ''ilegais'', que não cumprem as normas e exigências propostas pelo Ministério da Agricultura (Mapa).
''Esse fenômeno vem crescendo muito, principalmente em pequenas propriedades, já que em alguns casos o criador não tem como investir em equipamentos para resfriar o leite'', reforça. Segundo ele, 10% dos produtores do Paraná não deverão se enquadrar nos novos padrões de qualidade. Hiroki completa que muitos deverão mudar de atividade. E alguns deles, possivelvente começarão a repassar seus produtos diretamente no varejo, a um preço abaixo de mercado.
Muitos criadores de gado de leite, conforme Hiroki, alegam que os elevados custos de produção e os baixos preços pagos pelo litro de leite os forçam a vender os seus produtos diretamente no varejo. Porém, segundo ele, os que realmente quiseram investir na tecnificação de sua produção, já tiveram sua chance. O técnico do Emater explica que já foram disponibilizadas diversas linhas de créditos com juros abaixo do mercado. ''No Paraná, por exemplo, o governo estadual criou em 2008 o programa Leite das Crianças'', sublinha. O projeto beneficia cerca de 400 produtores da região Norte. ''O programa serve para fomentar a renda do produtor e o incentiva a produzir com qualidade'', acrescenta.
Paulo César, presidente da Cooperativa Agroindustrial Cativa, reforça que muitos integrados estão migrando para pequenos laticínios que não têm nenhum tipo de inspeção. ''Não temos uma fiscalização forte (por parte do governo), é preciso mais rigor'', assinala. Ele completa que alguns produtores chegam a enviar leite na temperatura ambiente para algumas cooperativas, o que compromete a saúde do alimento.
Além disso, César completa que muitos produtores não têm condições de enviar de forma adequada a matéria-prima para a cooperativa, já que não possuem equipamentos adequados, como o resfriador, que chega a custar, em média, R$ 10 mil. ''Alguns produtores não querem investir nesse tipo de equipamento, por causa disso optam por direcionar os produtos aos pequenos que ainda não têm uma fiscalização tão forte''
César reitera que a pequena produção tem condições de melhorar e seguir as novas normas. Atualmente a Cativa recebe 100 mil litros de leite por dia. Dos 700 sócios, apenas 100 têm a capacidade de produção acima de 200 litros por dia. O restante, segundo ele, é formado por pequenos produtores de leite. ''Hoje, nossos técnicos vão à campo para orientar os produtores. Porém, não descarto a possibilidade de alguns deles migrarem para laticínios menores ou até mesmo clandestinos'', destaca. (R.M.)

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