A safra 2010/2011 teve início com projeções de seca - causada por interferência do fenômeno meteorológico La NiÀa -, mas as previsões não se concretizaram. O volume de chuvas acima do esperado foi favorável para o desempenho das lavouras de soja no Paraná, mas, em contrapartida, atrapalhou o planejamento dos produtores para uso de técnicas adaptadas a um ano de estiagem. Além disso, o excesso de chuvas no final da ciclo atrasou a colheita e pode afetar a produtividade e a qualidade dos grãos colhidos.
O chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Soja, José Renato Bouças Farias salienta que as chuvas bem distribuídas ao longo da safra, que se estenderam do Noroeste do Rio Grande do Sul até o Norte do Paraná, foram o principal fator potencializador desta safra. ''A sanidade das lavouras está muito boa. Provavelmente teremos um ano bom'', comenta. Entretanto, Farias lembra que o agricultor enfrentou alguns transtornos nesta safra, como plantio tardio e excesso de chuvas, que prejudicou práticas de controle de pragas e doenças. ''Só agora, após a colheita, é que vamos saber qual o resultado desta safra'', esclarece.
Para o engenheiro agrônomo da Coamo Cooperativa Agroindustrial, Joaquim Mariano Costa, o Brasil já vivencia dois anos de safras positivas. ''O ano passado foi excepcional para a soja, a melhor safra dos últimos anos'', destaca. Segundo ele, a safra 2010/2011 começou da mesma forma e poderia ser igual. No entanto, o grande volume de chuvas e algumas temperaturas razoavelmente baixas registradas de madrugada, tendem a tornar esta uma safra normal. ''As chuvas prolongaram o ciclo da cultura'', esclarece.
Contudo, o agrônomo salienta que esses fatores não comprometeram a safra. ''Algumas lavouras terão boa produtividade e outras podem ter alta produtividade. Não teremos um padrão homogêneo como na safra passada'', explica. Costa avalia que se a colheita demorar para ser feita, pode haver perdas de volume e qualidade da produção. ''O ano enganou, fizemos a orientação para uma safra seca e isso atrapalhou um pouco. Algumas variedades acamaram um pouco mais do que o esperado'', comenta.
O gerente técnico da Ocepar, Flávio Turra, confirma a preocupação com o excesso de chuvas e o consequente atraso na colheita. ''Em algumas lavouras atacadas, o produtor não conseguiu fazer o controle necessário na época adequada por causa da chuva. As perdas identificadas, por enquanto, são pequenas'', afirma Turra. Com as chuvas, o clico da lavoura foi prolongado em cerca de 15 dias. Para Turra, essa perda de produtividade esperada está dentro da normalidade.
Segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e do Abastecimento (Seab), o volume de chuvas está acima da média desde janeiro nas principais regiões produtoras do Estado. Em Londrina, a média de chuvas em fevereiro foi de até 175 milímetros, mas este ano o volume foi de 207 milímetros, um aumento de 18,28%.

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