Um dos maiores entraves para a produção de cachaça no Paraná é a questão tributária. A carga de ICMS é de 27,05%, enquanto em Minas Gerais é de 12% e no Espírito Santo de 7%. A presidente da Cooperativa de Produção e Promoção da Cachaça de Minas (Coocachaça), Dirlene Maria Pinto, diz que é preciso a união dos produtores para enfrentar esse problema. Segundo ela, o IPI que era de R$ 0,25 por litro de cachaça produzida, hoje incide sobre o preço final de venda ao consumidor, o que tem pesado muito sobre a atividade. ''Isso não é política tributária, é perseguição'', avalia.
Com muito custo, os produtores obtiveram algumas conquistas, como a inserção da cachaça na lista de produtos prioritários para exportação. De uma lista de 55 produtos que o País considera estratégico exportar, a cachaça ocupa a 11 posição. Segundo Dirlene, apesar deste avanço, a carga tributária estimula a clandestinidade, o que pode colocar em risco todas as conquistas que o setor e, por consequência, o País obtiveram nos últimos anos nesta área. De acordo com Luis Damaso Gusi, coordenador da Fábrica do Agricultor, a questão tributária será uma das prioridades da nova associação paranaense de produtores.
Outro entrave é o grande número de marcas. A tendência, para a presidente da Coocachaça - uma das principais entidades representativas do setor no Brasil - é reunir grupos de produtores em cooperativas e reduzir a diversidade de marcas. ''Quando pensamos em uísque e conhaque, por exemplo, lembramos de umas 10 a 15 marcas produzidas no mundo todo, quando muito'', observa.
Frederico Isenberg, produtor de cachaça em Toledo, Região Oeste, também condena o número excessivo de marcas. Segundo ele, são cerca de 6 mil marcas diferentes de cachaça no Brasil. Outro problema, aponta, é a elevada taxa de ICMS, que no Paraná é de 27%. Ele defende a união dos produtores em associações e cooperativas para fortalecer o setor e melhorar a comercialização.
''Eu deixei de vender uma remessa para a Alemanha porque não consegui acompanhar o preço'', reforça o Frederico Isemberg, produtor da Caninha Jaguarandi, em Toledo, na região Oeste. Há oito anos no ramo, ele produz 20 mil litros de cachaça anualmente. ''O maior problema é conseguir comercializar a cachaça artesanal'', conta. No ano passado, ele chegou a vender cerca de mil garrafas para a Espanha, mas não pôde continuar em função dos impostos. Sua esperança é que a implantação de um sistema de cooperativa, com o auxílio técnico de entidades, viabilize maior participação do Paraná nos mercados interno e externo. (M.K.)

mockup