Curitiba - Dados da Abritrigo mostram que o Brasil deve fechar o ano gastando US$ 1,1 bilhão para importar trigo e abastecer o mercado interno. Porém, cada tonelada de trigo importada pelo Brasil tem um custo que equivale o necessário para produzir duas t do cereal. Ou seja, as 7,5 milhões de t importadas têm o mesmo custo da produção de 15 milhões de t nas terras brasileiras.
Essa constatação está no plano plurianual do trigo, que estabeleceu como meta a produção de 60% do consumo interno brasileiro, até o ano de 2007. ''Esse foi um dos argumentos que usamos para lutar por uma política de aumento de incentivo'', diz o economista da Ocepar, Flávio Turra. Ele foi um dos integrantes da comissão que elaborou o plano plurianual.
Mas Turra ressalta que o dinheiro gasto hoje para fazer a importação sai das empresas do setor privado. E para estimular o aumento da produção brasileira, esses recursos teriam que vir do governo. As empresas passariam então a comprar o trigo nacional. Ou seja, o gasto para compra continuaria existindo, independentemente do gasto com o incentivo.
Se a triticultura brasileira recebesse um investimento desse tamanho, a produção passaria para 15 milhões de t, ou seja, cinco milhões a mais do que a necessidade do mercado interno. Esse excesso poderiaser exportado, melhorando o resultado da balança comercial.
Além disso, o aumento da produção de trigo fomentaria, segundo Turra, um processo de mudança na economia agrícola do País. ''Seriam 2 milhões de ha a mais produzindo trigo no Brasil, o que aumentaria a geração de empregos no campo e o consumo de máquinas e implementos agrícolas'', ressalta.
Outro benefício é que produzindo trigo no inverno, o agricultor reduz em 15% o custo de produção da soja. Essa economia acontece porque o custo fixo de manutenção de maquinário na propriedade, acaba sendo dividido por mais culturas. Sem contar que o plantio do trigo permitiria a rotatividade de cultura, que beneficia o solo, permitindo um manejo mais adequado. Isso reduz os riscos de erosão e de proliferação de ervas daninhas.
O plano estabelece como meta de produção, a marca das 6,5 milhões de t de trigo em 2007, ou 60% do consumo interno estimado para este ano. Essa produção reduziria o custo com importação de US$ 1,1 bilhão para R$ meio bilhão por ano. O número de produtores aumentaria em 58 mil e a atividade criaria 98 mil empregos diretos no campo.
Para 2004, a meta estabelecida no plano é de atingir uma produção de 5,3 milhões de t. As lideranças do setor acreditam que mesmo com a mudança de governo a meta continuará sendo perseguida.

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