Importadores exigem qualidade
O reconhecimento pela OIE, ao declarar o Estado livre de aftosa, porém com vacinação, abrindo assim as portas do mercado europeu para a exportação de carne bovina resfriada e de cortes nobres com elevados valores agregados, coloca o Paraná diante de um desafio permanente: respondendo por 20 a 25% da produção nacional de grãos, o Estado precisa apresentar um diferencial chamado qualidade para manter esta nova fatia no mercado nacional e internacional.
Hoje fica mais barato produzir grãos e carnes no Centro-Oeste brasileiro do que no Paraná, pelo baixo valor da terra, pela fertilidade e por outros fatores que provocam migração da produção agropecuária à região central do País. Por isso, em se tratando de pecuária de corte, qualidade está, em primeiro lugar, ligada à sanidade.
Temos que ter muito cuidado de agora em diante, porque todos os holofotes estarão sobre o comportamento sanitário do rebanho bovino paranaense e demais Estados do Circuito Pecuário Centro-Oeste. Claro que existem interesses contrariados de outros Estados e até da Argentina, e qualquer eventual deslize sanitário pode ser transformado num campo de batalha. O recado de Meneguette significa: ou se mantém o rigor sanitário, punindo severamente criadores que não se integrarem a este esforço, ou todo um esforço conjunto de quatro anos pode ser em vão. No mercado internacional globalizado, cairam as barreiras alfandegárias e comerciais. Ficam valendo em definitivo as barreiras sanitárias cujas regras desse jogo são ditadas pelos consumidores do Primeiro Mundo. Por isso que, por exemplo, os europeus não comem carne de vaca louca da Inglaterra e nem bebem Coca-Cola da Bélgica.
Hermas Brandão, deputado estadual e ex-Secretário da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, responsável pela início da campanha que culminou com a erradicação da aftosa no Paraná, adverte: A maturidade profissional da pecuária de corte vai ter que ser provada todos os dias. E a palavra-chave chama-se sanidade animal.
João Paulo Koslowski, presidente da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), considera que o Paraná, após esta conquista na área de exportação de carne bovina, deve buscar novos nichos no mercado europeu a partir da agregação de valores a culturas como soja. Quanto ao certificado de liberação para exportação de carne resfriada, a sua continuidade, na visão do dirigente cooperativista, estará diretamente relacionada à conscientização dos criadores, para que a aftosa não se instale novamente no rebanho paranaense. José Roberto Borghetti, delegado federal do Ministério da Agricultura e do Abastecimento no Estado, também presente em Paris, afirma: o Paraná tem que ser muito mais agressivo em suas conquistas de mercados internacionais.
O agribusiness paranaense responde por 42% do PIB estadual e garante renda bruta anual não inferior a R$17 bilhões. Não foi à toa que o produtor rural, agrônomo e deputado federal Moacir Micheletto, sugeriu a nomeação de adidos agrícolas nas embaixadas brasileiras dos principais países compradores. Afinal, alguém tem que vender e bem a produção agropecuária brasileira(L. C. R.)





