Imperativo agregar valores - Jota Oliveira
Jota Oliveira
Esta tem sido uma recomendação persistente das lideranças rurais, principalmente tendo em vista a globalização da economia, a internacionalização que, na opinião de outros dirigentes, como Arnaldo Coelho do Amaral Filho, diretor da Sociedade Rural do Paraná, nada mais é do que uma manobra dos países mais ricos para subjugar definitivamente a produção e os mercados gigantescos representados pela maioria mais pobre.
Nós precisamos sair deste estágio em que vivemos, de dependência, e só conseguiremos a mudança quando passarmos a agregar valor a nossa mercadoria; quando o produtor agrícola passsar a ser agroindustrial, diz Arnaldo Amaral.
Em março do ano passado a Sociedade Rural do Paraná, sediada em Londrina, promoveu o Seminário de Agronegócios, com a presença do vice-presidente da República, Marco Maciel. O objetivo, recorda o diretor da Rural, era mesmo chamar a atenção para a necessidade de uma alternativa própria ao modelo imposto de globalização.
Nesta globalização, observa, só nos estão ensinando um caminho; é comprar todos os produtos que eles querem nos vender, dificultando com isso nosso desenvolvimento tecnológico, e vender-lhes nossa produção agrícola, sem nenhum valor agregado.
A importância da agropecuária pode ser medida, além dos seus efeitos sociais e econômicos imediatos, como a mais rápida resposta a qualquer investimento aplicado nela, pelos ingressos em dólares na balança cambial. No entanto, a troca não favorece a produção. Lembra Amaral que, apesar de um aumento de 27% nas exportações, as cotações dos produtos agropecuários cairam 25%. Exportamos mais produtos in natura, para compensar a queda nas cotações. Resumindo: a lavoura trabalha mais e ganha menos. Já no setor café predomina a agroindústria na exportação, mas, como observa Amaral, as cinco maiores indústrias de solúvel do mundo estão na Europa. Enquanto isso o Governo brasileiro leva em conta a balança de pagamentos, não o produtor que paga a conta da incompetência de outros setores. Para o diretor da Sociedade Rural do Paraná, a produção é vista apenas como fonte pagadora. Não interesssa o que está acontecendo com a agropecuária, que está exaurida porque nossa atividade tem dado prejuízo, apesar de um saldo positivo na balança nos últimos 20 anos. Ele defende a agroindustrialização, para o agropecuarista ter maior domínio de sua produção e vender já o produto transformado, não apenas exportar a matéria-prima. Hoje, o mercado mundial está nas mãos de quatro tradings estrangeiras, quando o Brasil é o maior mercado que seus produtores podem ter. Se não fosse assim, não seria um dos países que estão atraindo mais a atenção de investidores externos. Esta questão, a agregação de valores para termos melhor resultado nas vendas no mercado externo e interno, precisa ser colocada com mais clareza, conclui o diretor da Sociedade Rural do Paraná.
O autor é editor da Folha Rural.





