Impasse no mercado do boi
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 01 de agosto de 2003
Cláudia Barberato<br>Reportagem Local 
O mercado do boi viveu nas últimas duas semanas os efeitos da redução dos abates, em função da pouca oferta de animais. As escalas nos frigoríficos atendem a uma programação de três ou quatro dias, com falhas. Alguns frigoríficos trabalham com menos de 50% da capacidade.
Segundo o analista Fabiano Tito Rosa, da Scot Consultoria, diante da redução na oferta de animais terminados o mercado físico do boi gordo opera em ''ambiente extremamente firme.''
Esse cenário foi desencadeado após decisão do Ministério da Agricultura, determinando que, a partir do dia 15 de julho, os animais abatidos - que terão sua carne exportada para a União Européia -, devem estar cadastrados 40 dias antes desse abate no Sistema Brasileiro de Identificação de Animais de Origem Bovina e Bubalina (Sisbov).
As indústrias têm se articulado, junto ao Governo, para mudar essa exigência. Essa semana, em Brasília, sugeriram um prazo de 15 dias de inscrição no Sisbov, durante 60 dias, até que os abates se normalizem.
De acordo com Rosa, os frigoríficos têm afirmado que a adesão ao Sisbov está aumentado diariamente e que dentro de 30 ou 40 dias a situação de oferta de animais rastreados deverá chegar perto do normal.
Essa procura, no entanto, pode ser fruto da pressão da própria indústria que lançou mão de deságio na arroba de bois não rastreados, o que forçou uma corrida para rastrear.
As certificadoras falam de uma demanda por serviços 100% superior. Segundo Fabiano Rosa, alguns frigoríficos chegaram a contratar certificadoras para atender ''maiores'' clientes, custeando a rastreabilidade. ''Dizem que a adesão ao Sisbov tem sido de 15 mil bois/dia.''
Outras empresas, continua Fabiano Rosa, chegaram a pagar de R$ 2 a R$ 5 por cabeça rastreada. O custo para rastrear é, em média, de R$ 4 por cabeça.
O Brasil tem grandes chances de fechar o ano como o maior exportador de carne do mundo se não houver queda nas vendas externas. Evitar que isso aconteça deve ser um trabalho da cadeia produtiva da carne. Pecuaristas e frigoríficos devem se entender e serem parceiros.
As barreiras hoje enfrentadas pelo Brasil podem tornar-se cada vez mais ajustadas aos interesses de outros países, que temem perder seu espaço para a carne produzida nos pastos brasileiros; produto de qualidade e que apresenta custos competitivos no mercado internacional.
O preço da arroba do boi, nos últimos sete anos, vem se mantendo sempre em alta e isso coincide, segundo o analista, com o começo do recorde da exportação de carne, o que certamente segura, firme, o preço da arroba no mercado interno.
Antes do dia 15 de julho o mercado trabalhava com perspectivas de R$ 65 para a arroba em outubro. No momento fica difícil confirmar ou fazer novos prognósticos. Fabiano Tito prefere esperar mais 30 ou 40 dias.


