O perfil das propriedades pecuárias está mudando. Muitas delas passam da condição de produtoras de gado para um avançado sistema de produção de carne. Depois de dominar a tecnologia de produção (genética, alimentação e manejo) esses criatórios encaram todo o desafio de fazer o produto carne. Saem da condição de criadores de gado para fornecedores de um produto de qualidade, padrão e oferta contínua.

Cercadas de alta tecnologia e mão-de-obra qualificada o objetivo é ser eficiente, sem modismos e numa visão de longo prazo.

Para o melhoramento genético dos animais, a precocidade reprodutiva e a redução na idade de abate, as empresas têm se cercado de avaliações e certificados com forma de garantir sua eficência. A preocupação é produzir animais cada vez mais precoces, a pasto, seja para o incremento genético nas propriedades ou mesmo para o gado comercial, que será abatido para a produção de carne.

Parte deste esforço, mais concentrado em grandes empresas, pôde ser visto durante o 1º Road Show Pecuário para Jornalistas, realizado de 8 a 11, num circuito pelo interior de São Paulo e Minas Gerais. A iniciativa reuniu jornalistas de nove Estados diferentes que rodaram mais de dois mil quilômetros fazendo o chamado caminho da carne: do pasto até o abate e seu aproveitamento na indústria.

Um dos destaques do roteiro foi a visita a três propriedades agropecuárias que têm investido pesado para tornar a pecuária uma atividade rentável e competitiva frente à perspectiva do Brasil se manter na liderança mundial como exportador de carne bovina a pasto, de qualidade e segura, atendendo a um desejo do consumidor por segurança alimentar.

Das três empresas visitadas -Agropecuária CFM, Damha Agropecuária e Agropecuária Jacarezinho- , cada uma com seu foco e sistema de produção particular, o que se vê é apenas um objetivo: usar tecnologias que possibilitem incrementar o lucro do sistema de produção. ''Não é mágica. A conta tem que fechar,'' garante Constantino Ajimastro Júnior, da Damha Agropecuária.

Mão-de-obra tecnificada, melhoramento genético, pastos bem cuidados, suplementação quando necessário, programação de estação de monta e uso de inseminação artificial, entre outras técnicas, já estão dominadas em boa parte das propriedades agropecuárias. Hoje o ajuste fino rumo à eficiência tem sido na reunião do maior número de informações sobre o que acontece na propriedade. A informação, de acordo com os responsáveis pelas empresas, tem sido o grande aliado do pecuarista na correção dos erros, tomada de decisões e implantação de manejos, como o melhoramento genético.

Na Agropecuária CFM, por exemplo, a informação tem sido valiosa na seleção massal da raça nelore pela precocidade reprodutiva. A empresa, com sede em São José do Rio Preto (SP), reúne 12 fazendas no interior de São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O rebanho de corte contabiliza 94 mil cabeças, sendo 44 mil matrizes criadas a pasto em cinco fazendas.

Parte da seleção e melhoramento genético feito no rebanho tem trazido resultados como a prenhez de fêmeas aos 14 meses, parindo por volta dos 24 meses, período em que hoje a maioria das matrizes entram em ciclo reprodutivo.

Segundo o coordenador de pecuária da CFM, Luis Adriano Teixeira, só este item tem representado um retorno econômico de 12%. ''A fertilidade é uma característica que, sozinha, tem o maior impacto lucrativo no negócio.'' Com a redução da idade ao primeiro parto das novilhas de 36 para 24 meses o índice de lucratividade é 16%.

Outra propriedade que colhe bons resultados com o melhoramento genético é a Agropecuária Jacarezinho, de Val Paraíso (SP), que trabalha com nelore e braford. O rebanho tem 30 mil cabeças, sendo 14 mil matrizes nelore. Segundo o gerente Ian David Hill, a empresa seleciona animais que ele chama de bicoeconômicos, com características de qualidade e rendimento de carcaça, além de precocidade sexual, precocidade de terminação e ganho de peso adequados.

Para avaliação dessas características os animais são pesados em jejum e avaliados ao desmame e no pós-desmame. A avaliação é completada por escores visuais. Todas essas informações geram a Diferença Esperada na Progênie (DEP) para as principais características produtivas. Atualmente o desfrute conseguido na propriedade - 34%, -,está próximo do índice de eficiência conseguido pelos EUA que é de 36%. No Brasil a média é de 24%.

A genética da empresa, segundo Ian Hill, é utilizada por muitos pecuaristas. Ele estima que até 2008 nada menos do que 4% de todo o rebanho de fêmeas no País, estimado em 64 milhões de cabeças, será coberto por touros produzidos pela Jacarezinho.

Um exemplo do sucesso na seleção de animais é o touro Kulal, de 10 anos, macho produtor de sêmen a ser usado em rebanhos comerciais. Kulal já vendeu 210 mil doses de sêmen e tem 100 mil filhos espalhados por mais de 700 projetos pecuários no Brasil.

  Outra empresa que aposta na produção de carne, a Agropecuária Damha inicia este ano projeto de parceria para engorda e terminação de animais. Para aproveitar toda a infraestrutura montada - área de confinamento para 30 mil animais, produção de volumoso e uma fábrica de ração dentro da fazenda -, a empresa está montando a Central de Engorda Pecuária para bois comuns e os superprecoces. O lançamento do programa deverá ser feito em maio, durante o Agrishow em Ribeirão Preto (SP).

  Segundo Constantino Ajimastro Júnior, com a parceria, será possível uma lucratividade de 4% ao mês. O gerente geral da empresa, Paulo Luglio, garante que muitos frigoríficos se mostram interessados nos animais superprecoces e deverão pagam um ‘‘plus’’ de 5% a mais no valor da arroba.

  Segundo Ajimastro, com a parceria é possível aumentar o volume de produção e, com escala, fazer maior volume para negociar junto às indústrias.

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