Idéia era boa
O caso de São Jerônimo ainda está fresco na memória dos produtores envolvidos, mas muitos preferem nem tocar no assunto. Os donos da integração desistiram do negócio, o veterinário desapareceu e o banco cobrou a dívida dos produtores. Não havia contrato legal entre os donos da integração e os produtores.
Segundo o chefe regional da Emater em Cornélio Procópio, Paulo Hidalgo, muitos produtores conseguiram saldar suas dívidas. Das outras pessoas que na época participaram da experiência, um dos técnicos da Emater em São Jerônimo foi mandado embora, não pelo episódio, e o agrônomo, que orientava os produtores daquela região, recebeu proposta melhor de emprego, e também saiu da empresa.
Boa idéiaEle lembra que a Emater orientou cerca de 12 a 13 projetos para a integração. O papel da Emater, afirma, era orientar os produtores sobre construção de barracões e manejo das aves; muito embora a integração prometesse essa assistência. A idéia era muito boa.
O problema começou, de acordo com Hidalgo, porque as matrizes fornecidas não tinham potencial genético adequado. Houve grande mortalidade de aves. Mas os produtores continuaram vendendo os ovos assim mesmo, afinal tinham que saldar o financiamento. Acredito que no final quase todos quitaram seus compromissos. Para nós ficou uma boa lição.
InterferênciasMoacir Veras, que junto com o irmão e o veterinário Nunes, era um dos donos da integração, afirma que o fracasso do negócio começou com a interferência de outros produtores e da própria Emater, orientando de maneira diferente os criadores do que inicialmente havia sido combinado.
A Emater e outros produtores nos acusavam de estar explorando e logrando os produtores integrados. Os problemas começaram a partir do momento em que eles começaram a procurar outros fornecedores de matrizes e ração e a desrespeitar nosso acordo.
Segundo Veras, no início o compromisso era fornecer as matrizes e a ração, em troca da produção de ovos, o que foi cumprido. A proposta de lucratividade para cada produtor integrado era de um plantel com 90% de produção e 30% de lucro livre. A reposição, depois, ficaria por conta dos produtores.
Alguns produtores, segundo Veras, acabaram repassando as codornas para outras pessoas, sem experiência, o que segundo ele causou alta mortalidade de aves. Outros entregraram o negócio a empregados. Sem manejo correto a produção foi caindo. Muita gente nos entregava uma parte da produção de ovos e vendia o excedente por fora, fazendo concorrência, desestabilizando o mercado.
Outra razão para a falência do negócio, afirma Veras, foi a compra de matrizes e ração de outras fontes, inviabilizando a integração. A partir daí resolvemos acabar. Além disso, o veterinário Nunes passou a trabalhar por conta própria, prejudicando a sociedade. Ele foi embora e deixou prejuízos. No final repassei aos produtores telefones de fornecedores e compradores, para que tocassem o negócio e saldamos nossos compromissos.(C.B.).





