'Içaí': fruto da palmeira juçara pode gerar renda no litoral

Proposta é que a polpa do fruto, muito similar ao açaí, possa ser inserida no agronegócio de forma mais profissionalizada

Victor Lopes - Grupo Folha
Victor Lopes - Grupo Folha


 




Grupo de trabalho que idealizou o “Projeto Içaí, fruto da Mata Atlântica”: desenvolvimento econômico e conservação da natureza
Grupo de trabalho que idealizou o “Projeto Içaí, fruto da Mata Atlântica”: desenvolvimento econômico e conservação da natureza | Carlos Anselmo /Divulgação
 




 Desde o ano passado, o Instituto Emater, em parceria com o Iapar e a Embrapa, trabalham para fomentar entre produtores rurais do litoral do Paraná que o fruto da palmeira juçara possa ser uma alternativa de renda. Como a extração dessa palmeira nativa da Mata Atlântica foi proibida, a ideia é que a polpa do fruto - muito similar ao açaí - possa ser inserida no agronegócio de forma mais profissionalizada, extinguindo de vez os palmiteiros e os tornando coletores do fruto.  

 
 

A ideia ganhou ainda mais força graças ao Programa Natureza Empreendedora, promovido pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, que articula e capacita pessoas de diferentes áreas a desenvolver negócios inovadores para a região do litoral norte paranaense. Ao todo, 35 empreendedores de Antonina, Morretes, Paranaguá e Guaraqueçaba estão envolvidos nas ações, que também contam com apoio do Sebrae-PR.  

 
 

Entre os participantes está Rachel Siviero, que junto a um grupo de trabalho idealizou o “Projeto Içaí, fruto da Mata Atlântica”. O nome fantasia dado ao fruto faz referência ao açaí, já que outro termo referente à palmeira juçara é içara. Como ela possui uma propriedade de 900 hectares voltada ao turismo rural em Guaraqueçaba - repleta de palmeiras juçara -surgiu a ideia do projeto para extrair os frutos, fomentando a partir do trabalho uma possível cadeia em todo o litoral. “Relembramos a história da propriedade, quando o antigo proprietário, no final dos anos 1990, fez o plantio de mais de dez toneladas de sementes de palmeira juçara (em torno de dois milhões de árvores). A ideia inicial era o corte, mas como posteriormente foi proibido, ele não pôde colher o que plantou.” 

 
Se o palmito está protegido, o fruto existe em abundância e pode ser colhido sem um único prejuízo para a natureza. No escopo das ações - ainda em fase inicial - está justamente encontrar investidores agora em 2020 para que “o negócio se torne grande”. “Queremos que esse produto possa ser comercializado nas prateleiras de supermercado e quem sabe exportação. Vamos precisar mobilizar todo o litoral e pretendemos que os palmiteiros se tornem coletores do fruto.” 

 
Outro ponto citado por Siviero é o cuidado que será necessário com o manejo da palmeira, como acontece por exemplo com o açaí. Aliás, estudos apontam que o “içaí” pode ser até mais nutritivo que o açaí. “O quadro mais bonito que pode acontecer é que se formasse uma rede, com todos os trabalhos (com a palmeira) atuando de forma parceirizada. Nosso projeto não descobriu a roda, o que pretendemos é fazer um meio de locomoção mais eficaz com essa roda.” 

 
 

“Queremos mostrar que desenvolvimento econômico e conservação da natureza conseguem andar lado a lado, gerando benefícios para o meio ambiente e para a comunidade local. É o chamado ‘negócio de impacto’ que gera resultados financeiros positivos de forma sustentável e ainda protege e valoriza o patrimônio natural”, complementa o coordenador de Negócios e Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, Guilherme Karam. 

 
 

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