Ibama emperra transferência de tecnologia no campo
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sábado, 15 de novembro de 2003
Célia Guerra<br> Reportagem Local 
Duras críticas à demora do governo para autorizar a aplicação a campo dos resultados das pesquisas agrícolas destacaram o 2º Simpósio Nacional Abimilho. O evento reuniu em São Paulo, terça-feira, empresários e cientistas para discutir as expectativas da cadeia produtiva do milho.
O ex-secretário da Agricultura de São Paulo e ex-presidente do Incra, Francisco Graziano Neto, criticou o fato de instituições de pesquisas que geram alta tecnologia, terem que depender de licenças do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para serem transferidas aos seus usuários, agricultores e sociedade.
Para ele, a Embrapa deveria ser responsável pelo acompanhamento e fiscalização da pesquisa no País. Não faz sentido, segundo Graziano, a Embrapa ter que recorrer ao Ibama para transferência de tecnologias. ''O Ibama não tem competência técnica para dizer se os cientistas da Embrapa podem ou não pesquisar. Isso significa uma total inversão de valores. Ao contrário de serem coibidos, exigindo licenças absurdas, os cientistas deveriam receber um salvo contudo, uma mandato, para investir na genética. Bota dinheiro neles para empurrar e não segurar o conhecimento''.
O professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), membro da CTNBio, Celso Omoto, citou que a agricultura enfrenta um aumento na resistência de pragas e doenças aos agroquímicos disponíveis no mercado. O controle desses males provoca o aumento no número de aplicações.
Omoto destacou que a pesquisa tem meios de controle naturais de pragas mais eficientes que estão a espera de licenças do órgão ambiental. ''Será que esses testes podem provocar mais danos que a quantidade de veneno despejada no meio ambiente?. O Ibama não se importa com isso?'', questionou.
O pesquisador Maurício Lopes, gestor de pesquisa e desenvolvimento da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen), de Brasília (DF), destacou que a falta de explicação, de compreensão da tecnologia por parte da sociedade atrapalha a evolução da pesquisa. Para ele há falta de visão, de coordenação das autoridades na composição das leis que regulamentam experimentos, como os transgênicos.
Lopes destacou que muitas pesquisas estão paralisadas, emperradas a espera de trâmites legais que permitam os testes fora dos laboratórios. ''Isso onera a pesquisa, aumentando o tempo e diminuido os recursos que já são escassos'', criticou. A biotecnologia moderna, define, é um conjunto de ciências que ainda estão evoluindo.
Lopes admite que os danos da transgenia ainda não estão definidos e dependem de muitos estudos. ''Nós da comunidade científica só iremos testar produtos depois de termos certeza de que são mínimos os riscos que eles reprsentam à pessoa e ao ambiente. Temos conhecimento e formação para isso'', garantiu.


