Iapar, um fruto da cafeicultura
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 27 de junho de 1997
Jota Oliveira 
Dorico da SilvaNestes 25 anos foram lançadas cerca de 80 novas variedades cultivadas hoje no Estado e até em outros paísesAo criar o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), em 29 de junho de 1972, a Lei Estadual 6.292, de 29 de junho de 1972, estabeleceu como missão básica da instituição gerar tecnologia agropecuária adaptada às condições dos agricultores e às exigências dos consumidores e das agroindústrias, de forma a promover o desenvolvimento sócio-econômico e o bem-estar da população paranaense, servindo como referência técnico-científica a nível nacional e internacional.
Este propósito vem sendo cumprido, apesar do esvaziamento da principal fonte de receita dos primeiros anos de funcionamento do órgão: o Orçamento da União, agora representada, na relação com o Iapar, pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Neste período de 25 anos, os pesquisadores lançaram cerca de 80 variedades, de dez espécies de produtos, adequadas às condições do Estado e obtiveram, em seus 14 programas de pesquisa, 17 laboratórios e quatro casas de vegetação, outros importantes resultados, nas áreas de manejo e conservação de solos e água; controle do cancro cítrico - viabiizando a citricultura no Paraná e possibilitando a implantação da agroindústria desse setor - controle integrado de pragas e doenças em lavouras e criação de animais; novo modelo tecnológico para a cafeicultura paranaense (plantio adensado); equipamentos e máquinas agrícolas destinados à pequena propriedade, contribuindo para a sustentabilidade de uma categoria de agricultores tradicionalmente marginalizada...; produção de sementes (fornecimento de mil toneladas anuais de sementes básicas de soja, trigo, arroz, algodão, café, forrageiras e outras culturas); metodologia de diagnóstico e planejamento regional para a agricultura; informações meteorológicas, análises de solos, edição de publicações; difusão de tecnologia através de cursos, seminários e treinamentos. Além de tudo isto e das muitas tecnologias geradas, o Iapar tem funcionado como um incubador de agroindústrias, em parceria com entidades públicas e privadas.
Infra-estruturaAlém da sede em Londrina, o Iapar tem bases físicas distribuídas pelo Estado. São as estações experimentais, sediadas em todas as regiões do Paraná: Pólo Regional de Pesquisa de Curitiba (Canguiri); Cerro Azul, Lapa, Morretes, Ponta Grossa (Fazenda Modelo), Teixeira Soares, Ponta Grossa (sede do Pólo Regional), Palmas, Pato Branco, Vila Velha (Ponta Grossa), Guarapuava, Palotina, Paranavaí, Ibiporã, Joaquim Távora, Cambará e Xambrê; laboratórios de análises de solo, tecido vegetal, sementes, fisiologia vegetal, nematologoia, herbologia, entomologia, micologia, bacteriologia, virologia, patologia de sementes, engenharia agrícola, microbiologia animal, parasitologia animal, reprodução animal e nutrição animal.
Fazem parte, ainda, da infra-estrutura do Iapar, quatro unidades de beneficiamento de sementes, localizadas nas estações experimentais de Cambará, Palotina, Vila Velha (Ponta Grossa) e Londrina - aqui existe também uma unidade de beneficiameno de café; três centros de documentação (Londrina, Curitiba e Ponta Grossa) e uma gráfica (sede).
RecursosQuando a Sociedade Rural do Paraná e outras pessoas (físicas e jurídicas) se mobilizaram para a criação de um órgão de pesquisa na região, procuravam também conseguir dinheiro para aplicar na iniciativa quando ela se tornasse uma realidade no papel. A principal fonte de recursos era da própria comunidade - o Tesouro Estadual, seguido pelo dinheiro do IBC (do confisco cambial, retirado de cada saca de café exportada).
O IBC garantiu uma parte e conseguiu mais recursos, inclusive 2 milhões de dólares da Organização Internacional do Café (OIC). O Estado participava com a maior parte. Havia condições financeiras para criar o órgão de pesquisa. Criado, era a vez dos recursos humanos. Ambos os valores - dotações financeiras e funcionários - foram diminuindo com o tempo.
De uma participação de 57%, o Estado passou para 79,6% do orçamento total do instituto, enquanto o governo Federal, através da Embrapa, diminuía seus aportes financeiros dos iniciais 28% para 0,2% nos anos noventas. Mas, a mudança não ocorreu apenas na origem dos principais recursos orçamentários do Iapar: do total de recursos aplicados nos últimos anos, embora a participação do Estado tenha crescido, em valores absolutos, hoje o Tesouro paranaense participa com cerca de 63% da participação que tinha no período 1987-90.
Além disso, as despesas com recursos humanos cairam 50% em relação ao valor aplicado no mesmo período e, em 1995, atingia-se o nível mais baixo de investimentos. Isto é considerado, em uma análise do próprio Iapar, como especialmente negativo: ...este fato, com certeza, se refletirá na capacidade futura da instituição em atingir com eficiência seus objetivos.


