Conservar recursos genéticos é uma tarefa cara, trabalhosa e desafiadora, mas que é realizada com extrema competência em algumas instituições brasileiras, inclusive em Londrina. Um dos exemplos mais importantes do município são os bancos de germoplasma do Iapar, que conservam fora do ambiente de origem por volta de 25 culturas diferentes, distribuídas em 143 espécies, 86 gêneros e um total de 29 mil materiais genéticos.
Os bancos de germoplasma são unidades físicas para guarda e conservação de uma base genética ampla e diversificada, vislumbrando trabalhos de melhoramento para geração de novas cultivares mais adaptadas, resistentes e produtivas ou para uso futuro. O País conta, atualmente, com mais de 160 bancos de germoplasma.
No Iapar, cada uma das culturas possui um curador, ou seja, um pesquisador que fica responsável, junto a uma equipe, pelo armazenamento, conservação, caracterização, multiplicação, avaliação, regeneração e documentação de acesso aos materiais genéticos. Na prática, a equipe garante que esse material não se perca ao longo do tempo. A curadoria do feijão conta, por exemplo, com 9,3 mil materiais diferentes na instituição (chamados de acessos), o trigo, 6 mil materiais e o café, 3,3 mil materiais, nesse caso, todos em campo.
A pesquisadora da área de melhoramento de genética vegetal e gerente do setor de recursos genéticos do Iapar, Vânia Moda Cirino, explica que a conservação em câmaras frias acontecia em médio prazo na instituição, por um período que varia de dez a 15 anos. "Agora, estamos estabelecendo a conservação ao longo prazo, para 30 anos. Neste momento, estamos comprando motores, geradores e estabelecendo as câmaras frias, em que temos umidade e temperatura controlados. A Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) financiou a construção da estrutura física e o Iapar a aquisição dos equipamentos", relata ela.
A conservação de recursos genéticos é uma atividade que deve ser permanente e é de alto custo, segundo a pesquisadora. Ela conta que periodicamente é preciso fazer a regeneração desses materiais, pois eles perdem viabilidade ao longo do tempo. "É preciso conhecer quais as características importantes que esses recursos possuem para que possamos utilizá-los em nossas pesquisas. Costumo usar a frase de um professor: um banco de germoplasma onde os acessos não são caracterizados é o mesmo que uma farmácia cheia de medicamentos sem rótulos."
Por fim, a pesquisadora completa que aumentar a produção de alimentos é um desafio impossível sem a conservação de recursos genéticos, pois é nesta variabilidade genética que se busca maior produtividade, resistência a pragas, doenças, fatores climáticos e melhor qualidade nutricional de grãos. "São nesses bancos de germoplasma que encontraremos todos os genes necessários para atender os desafios do futuro." (V.L.)

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