A busca pela solução dos problemas energéticos exige ações em várias frentes. A pesquisa se ocupa da descoberta de novas alternativas para a produção de energia e no campo tecnológico o desafio é transformar as matérias-primas disponíveis em alternativa eficiente e limpa.
  Pesquisadores do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), se dedicam a ampliar o rol das oleaginosas que servem como fonte para o biodiesel. A instituição participa do Programa Paranaense de Bioenergia, lançado em 2003. O programa é coordenado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento e Secretaria de Ciência e Tecnologia, envolvendo além do Iapar, a Emater, Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e universidades.
  Algodão e soja são as culturas mais utilizadas porque já possuem a cadeia produtiva bem definida e estruturada. Porém, as potencialidades agronômicas e a determinação de adição de óleo vegetal no diesel urbano a partir de 2008, despertam o interesse de produtores e industriais.
  De acordo com o pesquisador Ruy Yamaoka, as plantas foram divididas em três categorias: as que têm cadeia produtiva, zoneamento e tecnologia definidos; as culturas de exploração esporádica; e as perenes.
  Técnicos aprofundam a pesquisa com plantas que representam bom potencial e que já foram cultivadas. Yamaoka cita o exemplo do girassol, mamona e amendoim, que há algum tempo despertaram o interesse de produtores, mas foram descartadas devido a problemas na produção. O girassol enfrentou problemas com a ocorrência de doenças na época do plantio e o ataque de pássaros. ‘‘O zonemanto da planta está sendo concluído e alguns produtores já se ocupam com a produção de sementes’’, diz Yamaoka.
  A mamona sofreu os efeitos das oscilações de mercado. Ocupou importantes áreas na região de Umuarama, mas também acabou sendo descartada. Segundo Yamaoka, a cultura não tem zoneamento, não tem estrutura de produção de semente e ainda sofre os efeitos da doença mofo cinzento.
  O amendoim passa por um processo de ajustamento. Com um teor de óleo entre 45% e 50%, a cultura há algum tempo percorreu o sentido inverso. ‘‘A pesquisa trabalhou para a diminuição do teor de óleo’’, lembra. Ainda de acordo com o pesquisador do Iapar, 115 materiais já foram resgatados de um banco de germoplasma e a pesquisa agora faz o ajustamento tecnológico que vai permitir a sua exploração como fonte de biodiesel.
  A canola é outra cultura que também necessita de ajustamento tecnológico. ‘‘É preciso determinar porque a cultura não sobreviveu no Paranᒒ, informa o pesquisador. A canola, ou colza, tem 45% de teor de óleo e é uma das principais fontes de biodiesel na Europa.
  O nabo forrageiro também integra o rol das culturas pesquisadas pelo Programa Paranaense de Bioenergia. ‘‘O teor de óleo chega a 38%, mas a produção ainda é pequena’’, descreve Yamaoka. Outra planta potencial é a silíqua, que tem problemas a serem solucionados. Os melhoristas devem desenvolver variedade com a casca mais fina – para facilitar o processamento – e com uma maior produtividade. Um limitação para a produção da silíqua são as dificuldades na colheita.
  O terceiro grupo é o das plantas perenes. Yamaoka cita o exemplo do tungue, originário da China e muito utilizado na fabricação de tintas e sabão, graças ao teor de óleo. Segundo o pesquisador do Iapar, o tungue é uma planta de clima temperado e é cultivado por agricultores no sul do Estado.
  O pinhão manso chegou ao Brasil na década de 1980 em plena crise do petróleo como uma alternativa para produção de biodiesel. Foi usada como cerca viva e na fabricação de sabão. A pesquisa deve determinar meios de controlar as pragas e doenças que inviabilizam a cultura.
  Comum no Rio Grande do Sul, a linhaça vem sendo utilizada na alimentação animal e recentemente seus benefícios na alimentação humana também vêm sendo disseminados. Ao contrário, o cártamo, originário do México, adapta-se bem ao clima árido. Outro que desafia a pesquisa é o crambe porque apesar de tolerar temperaturas baixas não resiste a geadas. A vantagem é que é uma planta de ciclo curto e pode ser cultivada entre as safras.
  Além das adequações agronômicas, a exploração de plantas para o biodiesel requer ajustamentos tecnológicos. A engenharia agrícola deve desenvolver técnicas de extração do óleo, aumentando a eficiência. ‘‘A prensa convencional muitas vezes deixa até 15% do óleo’’, diz Yamaoka. Outra preocupação da pesquisa é com os resíduos. ‘‘É preciso avaliar o que pode ser agregado ao sistema. A pesquisa estuda formas de utilização da torta, que pode servir à alimentação animal e humana’’, diz.


Biocombustíveis
Aspectos que precisam ser observados para montagem de uma usina:
- Rota tecnológica (trasesterificação etílica)
- Capacidade de produção
- Tipos de óleos vegetais que serão usados
- Capacidade de processamento de óleos puros e residuais
Fonte: Tecpar

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