Desde 2001 o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) estuda o consórcio de café com seringueira. Segundo André Medeiros, engenheiro florestal da instituição, a adoção dessas duas culturas em uma mesma área pode trazer grandes benefícios para os produtores. "A agrofloresta é uma atividade milenar que ajuda a preservar a propriedade", explica.
Segundo o especialista, a ideia do consórcio surgiu como uma forma de diversificação da cultura cafeeira, período em que a atividade já começava a dar sinais de que não estava indo muito bem. "A seringueira garante bons rendimentos em látex e, no futuro, com o corte da madeira", completa. Medeiros explica que a seringueira é uma planta de sub-bosque que se desenvolve bem em áreas sombreadas.
Durante as pesquisas, Medeiros percebeu um aumento gradativo nos índices de matéria orgânica no solo. Além disso, verificou, durante o inverno, que as plantas de café ficam mais protegidas de geadas. Contudo, ele frisa que, dependendo do sombreamento exercido pela árvore sobre a planta cafeeira, seu desenvolvimento pode ser comprometido pela falta de luz solar, responsável pela realização da fotossíntese das plantas.
Por isso, observa o pesquisador, é necessário que o produtor plante com espaçamentos que possibilitem uma boa distribuição de luz solar. "O desenho de uma área pode variar de propriedade para propriedade, por isso é necessário um estudo e uma acompanhamento técnico." Medeiros lembra que a principal dificuldade na implantação desse sistema é a falta de mudas de seringueiras disponíveis no mercado.
Porém, ele frisa que ao invés de plantar seringueira, o produtor pode optar por outro tipo de espécie, sendo ela nativa ou exótica. Mas Medeiros enfatiza também que o produtor deve sempre estar respaldado de assistência técnica antes de iniciar um processo consorciado. "O nosso próximo passo é continuar estudando novas espécies para a realização de novos consórcios." (R.M.)

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