Nancy Morsbach, pesquisadora do Iapar, exibe os frutos de camu-camu. Os galhos finos da planta, carregados, pendem para o chão).Planta nativa da Amazônia, a camu-camu uma fruta semelhante à jabuticaba, com teor de vitamina C superior ao da acerola e com substância que previne o câncer, já é conhecida dos pesquisadores do Iapar, que estão testando seu potencial agronômico e econômico. A responsável pela pesquisa, engenheira agrônoma Nancy Morsbach, revelou sua preocupação com a possibilidade de alguns produtores do Estado se anteciparem ao experimento e plantar a fruta de modo indisriminado.
‘‘Os exemplos da acerola e da stévia, das quais os produtores do Norte do Paraná se lançaram ao plantio indiscriminado, entusiasmados pelo excesso de divulgação das vantagens desses produtos, ainda é recente e não devia ser desperdiçado. Esses produtores amargaram pesados prejuízos por falta de mercado para escoar a produção’’, advertiu a pesquisadora.
PerspectivaApesar das ressalvas, Nancy não descarta a possibilidade de o plantio de camu-camu ter sucesso no Paraná. O Iapar está testando a adaptação da planta há dez anos na estação experimental do município de Morretes, no Litoral do Estado. Para se ter uma idéia de seu potencial, de 100 plantas trazidas da Amazônia por recomendação do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, apenas duas espécies estão comprovando um excelente desempenho no Estado, com real potencial econômico como a pupunha e o urucum. A camu-camu faz parte do segundo grupo sobrevivente, de dez fruteiras e uma especiaria (canela), que ainda estão em estudo.
O poder de germinação das sementes de camu-camu é alto, da ordem de 80%, o que incentivou a pesquisadora a continuar com o experimento. Segundo ela, das sementes que trouxe da Amazônia, oito plantas estão em plena produção e outras 100 ainda em desenvolvimento, fase que será atingida entre o quarto ou quinto ano de plantio. Para a pesquisadora, o rendimento das plantas em produção ainda não é o ideal, porque foram colocadas em solo pobre de fertilidade e de matéria orgânica, que é a característica dos solos do Litoral. Apesar do solo fraco, ela salienta que o clima do Litoral tem algumas semelhanças com o clima da Amazônia, por ser do tipo tropical úmido. O que difere são as médias de temperatura e de luminosidade.
As frutas nascem grudadas nos galhos, como as jabuticabas.
DificuldadesPelo fato de a planta ser originária da Amazônia, uma região de clima tropical úmido, onde chove mais do que 3.000 mm anuais, a pesquisadora não tem certeza se a planta se adaptaria às condições de clima seco da região Norte do Estado.
Ela justificou, lembrando que na Amazônia a camu-camu é uma planta de beira de rio, sendo bastante exigente em umidade. Até chega a ser alimento para peixe, quando entra em produção e os galhos carregados de frutas pendem para dentro dos rios. Por enquanto Nancy Morsbach está restringindo seus experimentos ao município de Morretes, onde o índice pluviométrico é mais próximo da Amazônia, da ordem de 2.000 mm anuais.
No plantio a pesquisadora tomou o cuidado de adubar as covas e colocar matéria orgânica para superar as deficiências do solo. A experiêcia revela baixa incidência de pragas, o que dispensa o uso de venenos, e é um importante atrativo para o mercado internacional, já que o produto pode ser vendido com o selo orgânico. A lavoura deve ser conduzida com adubação e limpeza do terreno. Segundo a pesquisadora o clima úmido de Morretes favorece o crescimento de ervas daninhas, o que obriga a mantero o terreno está sempre limpo. Nessas condições ela garante que o rendimento chega a dez toneladas de frutas por hectare. A produção ocorre apenas entre os meses de maio a julho.
Outra fase do experimento começa nos próximos dias, quando a pesquisadora plantará novas sementes em solos mais ricos em fertilidade e matéria orgânica existente em algumas propriedades do litoral, para saber se a planta atinge uma produtividade semelhante da Amazônia. Se o resultado do experimento for promissor, Morsbach começará a plantar sementes em outras regiões do Estado, para avaliar o desenvolvimento agronômico.
Este seria o encaminhamento normal da pesquisa, mas a técnica lamenta a falta de equipe para acompanhar o plantio em várias regiões. Ela justificou que o Iapar está enfrentando sérias dificuldades financeiras e por isso é obrigada a se concentrar apenas em experimentos que já revelaram potencial econômico como é o caso da pupunha e do urucum.

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