O agronegócio emprega hoje mais da metade da mão-de-obra do Paraná, e é responsável por mais de 60% do total das exportações estaduais. O setor se consolida cada vez mais como grande gerador de empregos, renda e tributos, o que gera a necessidade de estudo e organização das relações entre a produção agropecuária, a indústria de transformação, a distribuição e o consumo.
Para isso o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) está coordenando, desde 95, projeto denominado Estudo de Cadeias Produtivas do Agronegócio Paranaense. O trabalho pretende ser um instrumento para a definição de políticas públicas e privadas, voltadas ao desenvolvimento da sociedade. ‘‘Nosso objetivo é enxergar a nova realidade dos setores mais importantes’’, resume Adelar Antônio Motter, pesquisador do Iapar e coordenador do projeto.
O estudo envolve as cadeias produtivas de mate, borracha natural, madeira, citros, café, banana, carne bovina, leite, carne suína, piscicultura, carne de aves, arroz, batata, milho, feijão, cana-de-açúcar, seda, algodão, trigo, mandioca, soja e sementes. De acordo com o pesquisador, o projeto nasceu da aparente intenção do atual governo de estruturar pólos regionais de desenvolvimento, e pretende oferecer um retrato fiel de determinadas cadeias de produção, comparando-as aos concorrentes e identificando oportunidades e falhas. Com isso, pode-se analisar também a viabilidade de cada negócio.
ParceriasSegundo Adelar, para chegar na mão do consumidor com qualidade e bom preço, cada etapa de produção deve ser bem feita e bem coordenada. Algumas cadeias ainda não têm um bom trabalho de coordenação, em outras, este aspecto fica nas mãos da indústria, como é o caso do frango.
O pesquisador lembra que o fator limitante da eficiência da cadeia depende do setor com menor número de informações, que pode comprometer o trabalho de setores melhor informados. Para ele, as parcerias entre os responsáveis pelas etapas de produção são importantes por facilitar a busca de soluções para problemas cada vez mais complexos. ‘‘Os desafios que envolvem os diversos setores das cadeias produtivas exigem soluções sistêmicas, encontradas através de um trabalho conjunto.’’
Por isso, o Estudo de Cadeias Produtivas foi concebido para ser desenvolvido por equipes interinstitucionais e multidisciplinares. Cada equipe conta com um coordenador responsável pela articulação das ações necessárias ao desenvolvimento do estudo, que compreende três grandes etapas: diagnóstico/caracterização da cadeia produtiva; identificação das principais tendências da cadeia; e elaboração de um documento preliminar que será objeto de análise por parte dos próprios agentes da cadeia.
Cadeias regionaisAssim, é possível identificar os ‘‘gargalos’’ e as oportunidades de cada cadeia produtiva, por região homogênea do Estado. O Iapar já desenvolveu sistemas de informações que permitem identificar estas regiões. A partir destas informações pretende-se caracterizar as cadeias regionalmente.
Os Planos de Desenvolvimento Regional, por exemplo, que vêm sendo executados sob coordenação dos núcleos da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento desde 1995, incorporaram a abordagem da Cadeia Produtiva, destacando aquelas de maior relevância para cada região. Algumas destas regiões já têm subsídios do estudo para priorizar e orientar suas ações. Entre elas União da Vitória, com a cadeia do mate; Paranavaí, com a cadeia da borracha natural e Apucarana, Londrina, Cornélio Procópio e Jacarezinho com café, entre outras.

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