Iapar dá suporte à agricultura
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sexta-feira, 27 de junho de 1997
Silvana Leão 
Paulo WolfgangConquistasO café adensado e a preservação do solo através de microbacias são duas das importantes conquistas do IaparEm 25 anos de pesquisa, o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) já realizou vários programas importantes para a agricultura do Estado, mas alguns se destacaram pela abrangência dos resultados. Um deles é o Programa Café, que vem sendo desenvolvido desde a fundação da instituição, e trouxe, entre os resultados mais recentes, a criação da técnica do café adensado, que está sendo responsável pela retomada da cultura no Estado.
A equipe de pesquisadores envolvida neste trabalho atua em diversas áreas, como fitotecnia, solos, genética, fisiologia, entomologia, fitopatologia, nematologia, agrometeorologia, sementes e difusão de tecnologia. As pesquisas para desenvolver um modelo tecnológico para a cafeicultura paranaense começaram em 75, quando passaram a ser feitos os primeiros experimentos com café adensado. Em 80 foram feitas as primeiras recomendações, e 10 anos depois os pesquisadores aconselhavam a técnica de superadensamento (com variedades resistentes à ferrugem e o desenvolvimento de produtos sistêmicos para o controle da doença).
Naquela época, as cooperativas já aceitavam a tecnologia, e algumas - a Cocamar, principalmente - tiveram papel fundamental na sua divulgação. Paralelamente aos estudos sobre o espaçamento ideal para a cultura, porém, outras áreas foram sendo trabalhadas pelo programa, com resultados determinantes. A criação da variedade Iapar 59 e os estudos sobre a nutrição do cafeeiro, de acordo com a densidade, e sobre manejo de solo, são alguns exemplos.
A área de meteorologia também desenvolveu uma técnica de proteção do cafeeiro adulto através da arborização e aperfeiçoou as técnicas de proteção da planta jovem às geadas, como o chegamento de terra, lembra o pesquisador e líder do Programa Café, Armando Androcioli Filho. Ele ainda ressalta a criação do Serviço de Alerta às Geadas, há dois anos, que tem permitido aos produtores prevenir-se contra os estragos causados pelo frio.
Bicho-mineiro e nematóide Outros trabalhos lembrados por Androcioli são o sistema de amostragem sequencial de bicho-mineiro, que indica para o cafeicultor se os produtos químicos são necessários e o momento correto de aplicá-los, e o sistema de controle das bactérias, principalmente a responsável pela mancha-aureolada. Na área das doenças, os estudos se concentraram no apoio ao melhoramento genético, identificando plantas e raças resistentes à ferrugem, diz o líder do programa.
Os pesquisadores do Iapar também são responsáveis pela técnica de manejo que permitiu o controle de nematóides na região do arenito, onde a cafeicultura havia sido praticamente inviabilizada pela infestação do verme. Segundo Androcioli, o uso de leguminosas como a mucuna e crotalária, além do amendoim bravo e alguns tipos de aveia, que não servem de alimento aos nematóides, tornou possível o plantio de café naquela região. Por enquanto, porém, nós recomendamos apenas o uso de mudas enxertadas da variedade Apoatã, desenvolvida pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC), que é resistente ao nematóide, completa.
O pesquisador faz questão de ressaltar que a tecnologia do café adensado incorpora uma série de técnicas visando a diminuição de custos. Ele diz que as principais mudanças resultantes do uso da técnica são a recuperação mais rápida da produção; melhoria da fertilidade do solo; maior produtividade pelo maior número de plantas e possibilidade de cultivo em áreas pequenas, de melhor localização na propriedade (liberando as áreas de baixada).
A técnica do café adensado, na verdade, foi visualizada pelos pesquisadores do Iapar para ser aplicada lá pelo ano 2000. Hoje eles comemoram a antecipação do cronograma, e trabalham para ajustar a técnica que vai direcionar a cafeicultura do futuro. Trata-se de um refinamento da tecnologia, resume Androcioli, lembrando que é preciso visualizar as necessidades traçadas pelas gerações que virão, como uma cafeicultura mais ecológica e a criação de equipamentos que facilitem o manejo, em substituição à mão-de-obra que vai faltar.
Sustentabilidade garantidaO Programa de Recursos Naturais, criado em 75 pelo Iapar, é outro importante aliado da agricultura paranaense. Trabalhando com as características físicas, químicas e biológicas do solo, os cientistas procuram gerar tecnologias capazes de assegurar a sustentabilidade dos seus recursos produtivos. Para o pesquisador Ronaldo Rufino, este é um compromisso com o presente e com o futuro, como forma de deixar a outras gerações o que emprestamos da natureza agora.
O Paraná é essencialmente agrícola, e o uso intenso do solo desde a época da colonização gerou forte processo de degradação. Por isto o Estado sempre teve programas especiais de controle da erosão, o primeiro sinal do uso inadequado do solo, lembra Rufino. Segundo ele, o Iapar iniciou os trabalhos na área, desenvolvendo estudos dos fatores causadores do problema, para depois (entre os anos de 82 e 87) centralizar os trabalhos no sentido de minimizar os efeitos da degradação, agregando práticas mecânicas, edáficas (manejo de solo) e vegetativas.
Como exemplo o pesquisador cita os muitos trabalhos com variedades de adubo-verde e aperfeiçoamento da técnica de plantio direto. No início da década de 80, passamos a trabalhar com unidades de referência, que são as microbacias, para obtermos respostas mais rápidas, completa Rufino. Ele afirma que o Programa Paraná Rural nasceu em 89, usando toda a tecnologia desenvolvida pelo Iapar até então. Nós identificamos o grau de degradação dos recursos no Estado, as suas causas e passamos a procurar medidas para saná-las, resume.
Para Ronaldo Rufino, os produtores paranaenses se destacam pelo nível de consciência ecológica, principalmente nas regiões melhor assistidas. E na área de solos, acredita ele, o Estado conta com tecnologia de ponta, que só não é melhor desenvolvida por falta de recursos.


