Depois de realizar vários estudos e sugerir adaptações que foram adotadas pelos fabricantes de máquinas, a Área de Engenharia Agrícola do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), divulga a primeira de uma série de publicações com as avaliações de desempenho das semeadoras-adubadoras para o plantio direto.
A textura muito argilosa das regiões Norte e Oeste do Paraná restringiam até há pouco tempo a adoção do sistema de plantio direto, principalmente para os pequenos e médios produtores. Esses solos, com alta fertilidade e aptidão agrícola ocupam cerca de 32% da área territorial paranaense, sendo responsáveis por 60% do valor da produção agrícola do Estado, o que representa 7,2% do valor da produção nacional.
Segundo o pesquisador do Iapar, Rui Casão Júnior, estes números destacam a relevância do trabalho que vem sendo realizado com o objetivo de colocar à disposição dos produtores maquinaria adaptado para a implantação do sistema de plantio direto para este tipo de solos.
Faz-tudoSemeadora Vence Tudo, de precisão e fluxo contínuo, faz de tudo na pequena propriedadeDiagnósticoDiante das limitações da expansão do sistema no Estado, pesquisadores do Iapar, num trabalho conjunto com a Universidade Estadual de Londrina, diagnosticaram que uma das principais limitações à adoção nas pequenas e médias propriedades era a disponibilidade de máquinas adequadas.‘‘Observamos que os produtores precisavam de uma semeadora que funionasse com tratores de baixa potência já disponíveis para este tamanho de área’’, diz Casão.
Os solos argilosos normalmente exigem máquinas de maior potência, e mais caras, inacessíveis para muitos produtores. A umidade elevada que causa problemas de aderência de solo e embuxamento nos componentes de ataque ao solo, como disco de corte, sulcadores e discos duplos, também foi um dos problemas apontados pelos produtores. O pesquisador explica que no Paraná é comum a semeadura com alta umidade do solo devido ao curto período disponível para a implantação das culturas de verão, o que aumenta os riscos de compactação excessiva em solos argilosos, além de promover aderência de solos.
A pesquisa avaliou sete máquinas em Londrina. Cada máquina foi estudada quanto a demanda energética (potência requerida em condições reais de operação), desempenho operacional (capacidade de atendimento das recomendações agronômicas para as condições de manejo da vegetação) e análise morfológica (aspectos como regulagem, manutenção e operação da semeadora). Com estes dados foi possível oferecer para as indústrias parâmetros e sugestões para alterações.
As semeadoras-adubadoras podem ser utilizadas com tratores de baixa potênciaSegundo Casão, a área de engenharia agrícola concentrou seus esforços nos últimos dois anos para o estudo destas máquinas, colocando toda sua equipe de mecanização voltada para este trabalho, além da participação de técnicos da área de solos e fitotecnia.
GuiaOs resultados contidos nesta primeira série de publicações com a avaliação de equipamentos deverá se constituir em guia de recomendações para os agricultores da região Norte do Estado.
A primeira publicação que está sendo colocada à disposição de produtores e agrônomos da assistência técnica e extensão rural analisa o equipamento Magnum 2850 PD em solos de basalto (terra roxa). Desempenho, demanda energética, qualidade de semeadura e distribuição de plantas no campo são alguns dos itens avaliados.
AlteraçõesConsiderando as sugestões dos pesquisadores do Iapar e UEL, as principais alterações feitas na máquina Magnun 2850 PD pelo fabricante foram: alteração no ponto de engate visando a facilidade de nivelamento da máquinas; mudança na posição dos discos dos marcadores de linha, oferecendo menor risco de acidentes; os depósitos de fertilizantes de aço passaram a ser de plástico, eliminando problemas com ferrugem; reforço no eixo de acionamento de levante das rodas acionadoras; colocação de barra de apoio de proteção para o auxiliar do operador da máquina; a haste sulcadora foi reprojetada, sendo mais estreita, com melhor efeito de sucção; limpador de disco foi introduzido, melhorando sua eficiência e reduzindo a aderência de solo.
As avaliações dos equipamentos foram feita no plantio da soja e milho. Para o milho-safrinha já foram feitos estudos com outras máquinas, e também com o trigo no inverno. O trabalho terá sequência durante este e o próximo ano, com o patrocínio do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf), do Ministério da Agricultura. ‘‘Nossa meta é avaliar as principais máquinas disponíveis no mercado, oferecer informações aos agricultores e desenvolver máquinas ideais para as condições de solo do Paranᒒ, finaliza Rui Casão.Paulo WolfgangO pesquisador Rui Casão, junto com técnicos responsáveis pelos estudos e sugestões de adaptaçõesCristina Côrtes

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