A adoção da fruticultura e da olericultura como alternativas de diversificação tem gerado boas oportunidades para agregar renda a pequenas propriedades da região de Cornélio Procópio. Essas atividades, porém, exigem maior suporte tecnológico e domínio do sistema de comercialização, pois envolvem produtos perecíveis que precisam ser vendidos logo após a colheita. Na opinião do engenheiro agrônomo Paulo Cesar Hidalgo, da Emater regional de Cornélio Procópio, o contexto evidencia a necessidade de maior profissionalização dos produtores e da assistência técnica.
Diante do problema, a empresa estadual de extensão rural começou a desenvolver o projeto Hortinorte, coordenado pelo próprio Paulo e pelo engenheiro agronômo Élcio Felix Rampazo, também da Emater. O objetivo é formar um grupo de 35 profissionais especializados que atuarão nos sete pólos produtores de hortifrutícolas na região. ''Temos muita gente especializada em café e grãos, mas faltam técnicos para as outras áreas'', comentou.
Eles terão a tarefa de estabelecer novos referenciais para os produtores, estimulando o desenvolvimento de posturas que atendam as exigências do mercado. De acordo com Hidalgo, o trabalho envolve a adoção de medidas que garantam qualidade alimentar, rastreabilidade, certificação e padronização dos produtos. O projeto conta com o apoio da Federação de Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Embrapa, Sebrae, universidades, prefeituras, cooperativas e bancos.
Pólos Hidalgo comentou que o principal objetivo da introdução dessas atividades é melhorar o nível de renda e oferecer mais empregos. Ele acredita que a hortifruticultura seja capaz de gerar dez vezes mais empregos que a produção de grãos, que disponibiliza apenas 0,2 postos de trabalho/ha.
Para ser viável, porém, a produção de frutas e hortaliças necessita ser competitiva, o que implica em produtos com qualidade alimentar e uso racional de agrotóxicos. Além disso, a organização dos produtores é imprescindível para obter um sistema de comercialização eficiente, pois a venda de produtos perecíveis requer cuidados diferenciados.
Paulo ressaltou que o segredo do sucesso dos hortifruticultores da região é a atuação em pólos. ''Um grupo grande de produtores atrai a atenção dos compradores, além de facilitar o acesso à assistência técnica e aos fornecedores de insumos'', disse, acrescentando que a organização de um grupo, mesmo que seja informal, também garante um volume constante de produção para atender às exigências dos compradores.
ResultadosHidalgo contou que o projeto começou a ser desenvolvido há um ano. Os pequenos produtores têm investido nessas atividades desde 1992, para tentar solucionar o problema de diminuição das margens de rentabilidade dos sistemas de produção baseados na soja, no trigo e no algodão.
Em 2000/2001, o Hortinorte realizou dez eventos, 22 cursos e oito extensões que envolveram 800 produtores de diversos municípios norte-paranaenses. As atividades demandaram recursos na ordem de R$1,5 milhão, viabilizados pelo Paraná 12 Meses e pelo Pronaf.
Os resultados se evidenciam na produção crescente de hortaliças e na melhoria da comercialização da uva de mesa, que garante ao Norte do Estado a posição de quarto maior pólo viticultor do País (ver tabela). Além dessas atividades, produtores de diversos municípios da região Norte vêm investindo em outras culturas, alcançando bom resultados.
Produção O agrônomo informou que o município de Andirá, por exemplo, responde atualmente por 20% da produção estadual de banana, enquanto Pinhalão contribui com 40% da produção de morangos. Congoinhas e Santo Antônio da Platina, por sua vez, fornecem 1,3 mil toneladas de pêssego anualmente. A região de Santo Antônio da Platina também é a maior fornecedora de pimentões para o Ceagesp, em São Paulo.
Ele lembrou que a fruticultura e a horticultura, para serem viáveis, devem ser introduzidas em um sistema produtivo que possua outras atividades. ''Não é recomendável utilizá-las para substituir a soja, por exemplo, pois isso caracterizaria outra monocultura, com o agravante de apresentar maior risco.'' Nos municípios próximos a Cornélio Procópio, a hortifruticultura ocupa de um a três hectares (ha) de cada propriedade, em média. De acordo com o IBGE, a região possui 13 mil propriedades, 9,5 mil delas com menos de 20 ha.

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