A prática tem mostrado que o caminho para a melhoria da renda dos produtores rurais é a organização. Para isso, eles têm montado associações e cooperativas que auxiliam o processo de produção e comercialização dos produtos. Um exemplo recente dessa organização está em Piraí do Sul (74 km ao norte de Ponta Grossa), onde foi criada a Associação dos Hortifrutigranjeiros. Com sede no Bairro da Ressaca, ela reúne aproximadamente 150 produtores.
Os associados produzem vários tipos de hortaliças que são classificadas, embaladas e vendidas no mercado da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), em São Paulo, e outros estados. Nem mesmo a quebra na estimativa inicial de faturamento desanimou os produtores. ''O longo período de estiagem provocou perdas de até 50% nas verduras produzidas a campo'', informa o secretário de Agricultura e Meio Ambiente, Marcus Tito de Luca. A estimativa anual de produção é de R$ 2,5 milhões. Além da geração de renda para os produtores, o município se beneficia com as vagas de emprego geradas no campo.
O presidente da associação, Alexandre Pinheiro Leitão Júnior, salienta que a idéia principal é incentivar o pequeno produtor rural a plantar com técnica, o que garante a qualidade e quantidade dos produtos. Para conseguir isso, o associado é acompanhado por um engenheiro agrônomo em toda a fase do plantio à colheita.
No barracão de classificação, de acordo com Leitão Júnior, trabalham trinta pessoas. ''Este pessoal recebeu um treinamento na Ceagesp, para saber classificar os produtos entre tamanho, qualidade e padronização'', explica. A associação recebe apoio da Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente e da Emater. O presidente da associação lembra que o trabalho com os produtores foi iniciado pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais, a partir da produção de hortaliças em estufas. Hoje, porém, a associação dá continuidade ao serviço.
Histórico O produtor Daniel Barbosa de Anhaia, lembra das dificuldades enfrentadas para a implantação das seis primeiras estufas no bairro. Atualmente, a região possui 70 estufas e a expectativa é dobrar este número até o final do ano. Ele cita ainda os problemas que enfrentava para a comercialização da produção. ''Produzindo sozinho nem sempre eu conseguia completar uma carga''. Foi numa conversa com o atual presidente da associação, produtor que enfrentava as mesmas dificuldades de Anhaia, que surgiu a idéia da criação da entidade.
Já o associado Nilton Tomisawa lembra que a associação, além de facilitar a comercialização, livra o produtor de preocupações como as da comercialização. ''A associação permite que nos profissionalizemos na atividade: temos assistência técnica, sistemas de classificação e embalagens adequadas'', salienta.
Incentivos Na opinião do secretário de Agricultura e Meio Ambiente, Marcus Tito de Luca, a associação auxilia o produtor em toda a cadeia. ''A prefeitura ajuda a capacitar e incentiva o sociativismo, além disso, facilita a busca de linhas de créditos oficiais como o Pronaf''.
O secretário revela ainda que a prefeitura já conseguiu liberar recursos para aquisição de um terreno e a construção do barracão para a Associação dos Hortifrutigranjeiros. Tito de Luca cita também o apoio do município para a formação de um centro de experimento em estufas, que permita aos produtores melhorarem ainda mais a produtividade e desenvolverem uma ''visão empresarial''.
A quebra da produção a campo, segundo o secretário, irá incentivar a adoção do cultivo em estufas por, pelo menos, mais 40 produtores ainda este ano. Ele lembra também que as embalagens utilizadas pela associação dos produtores são produzidas em Piraí do Sul. Essa produção também tem característica de atividade familiar, envolvendo cerca de mil pessoas.

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