Quatiguá - Estufas rústicas (de plástico e eucalípto) e técnicas adequadas às condições da região promoveram nos últimos anos a expansão da olericultura no Norte Pioneiro. O setor emprega hoje 900 pessoas e injeta, em média, R$ 3,5 milhões por ano. A atividade se incorporou naturalmente à rotina das pequenas propriedades e do trabalho familiar dos agricultores.
  Através de associações, eles negociam diretamente com os atacadistas da Central de Entrepostos de Armazenamento Gerais do Estado de São Paulo (Ceagesp). A entrega do produto é feita duas vezes por semana. As associações levam seu produto até uma sede e, em seguida, caminhões fretados transportam o produto até os boxes da Central, em São Paulo.
  Técnicos estimam que o olericultor pode obter, em pequenas propriedades, uma rentabilidade superior a 100% do custo. Os principais produtores na região são os municípios de Siqueira Campos, Santo Antônio da Platina, Quatiguá, Cambará, Salto do Itararé, Ibaiti, Tomazina, Pinhalão e Joaquim Távora. Na Ceagesp a venda é feita em consignação.
  A olericultura a céu aberto é forte na região, cerca de 620 hactares (ha). Mas os 35 ha de estufa são, pelo menos, 4 vezes mais rentável, segundo comparativos da Empresa Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) porque mantém a média alta mesmo quando a variação de preços é acentuada. Nos últimos meses, por exemplo, o mercado do tomate-caqui apresentou variação de R$ 3,00 a R$ 8,00 por caixa de 3 kg, mas a rentabilidade do produtor foi considerada satisfatória.
Pólo  O Norte Pioneiro é a principal região em número de estufas. São cerca de 800 estufas em 700 propriedades. Os números da Emater apontam uma produção de 1.440 toneladas de tomate-caqui; 900 t de pimentão; 1.260 t de pepino-japonês e 400 t de berinjela.
  Em uma estufa de 250 m2 o olericultor pode colher duas safras de tomate-caqui (1.400 ‘‘caixeta’’ de 3 kg/ano). A caixeta é comercializada, em média, a R$ 3,50. O custo de produção por caixeta é de R$ 0,50 e o custo de comercialização, incluindo frete, comissão e transporte, supera R$ 1,70. A margem de até R$ 1,30/caixeta demonstra a viabilidade do setor em uma região antes considerada inadequada para esse sistema de cultivo.
  O engenheiro agrônomo e consultor, Amarildo Teodoro de Souza, disse que a estufa na região tem características próprias. ‘‘A estufa desenvolvida no Norte Pioneiro deixou de controlar a temperatura, porque o clima é quente, e passou a funcionar como um imenso guarda-chuvas que evita o contato da folha com a água da chuva e permite o controle de doenças usando menor quantidade de defensivos’’.
  O engenheiro agrônomo da Emater, Maurício Castro Alves, disse que a boa qualidade dos produtos, exigentes em tecnologia e de difícil cultivo, justifica os bons preços obtidos no mercado paulista. A olericultura em estufas requer cuidados com o manejo, quase individual das plantas.
Gargalo no transporte - Maurício Alves afirmou que a organização nos municípios precisa ser aprimorada para a ampliação dos mercados e aumento na produtividade e rentabilidade dos olericultores. Ele disse que o setor tem problemas com transporte, embalagens e assistência técnica.
  Em sua avaliação a tendência é que ocorra uma integração e, posterior, redução nestes custos. O engenheiro avalia que após a integração em associações municipais vai ocorrer também a integração comercial na região.
  A agricultora Vanair de Fátima G. Ribeiro está satisfeita com o rendimento da estufa. Ela disse que trabalha há três anos no setor. Em sua propriedade em Santo Antônio da Platina ela mantém duas estufas com tomate e pimentão.
  Para o produtor Nivaldo Gualiume o negócio só se viabilizou por causa da criação das associações. Ele disse que sem essas entidades não há comércio. ‘‘Não conseguimos produzir e comercializar ao mesmo tempo’’, disse. Ele trabalha no setor há cinco anos e, hoje, mantém seis estufas.

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