Imagem ilustrativa da imagem Hora do Ângelus



Perto de 25 de março (data em que os católicos comemoram a Anunciação de que Jesus vai nascer em nove meses) vêm-me à lembrança fatos da época em que, pequenos ainda, havia certa hora em nossa rotina familiar diária que incluía uma parada: a Hora do Ângelus (Mamãe explicou-nos que Ângelus era uma palavra em latim que significava anjo).

Outro fato digno de nota e que concorreu para aumentar minhas lembranças, foi o de minha amiga Gilda ter-me enviado vídeo da música "Meu bom José" cantada por Rita Lee, cujo autor é Georges Moustaki, o qual também cantou essa música por ele intitulada de "Joseph", num ótimo português diga-se de passagem.

É assim, munida de tais e boas recordações que escrevo esta crônica.

A Hora do Ângelus acontecia em nossa casa pela audição de programa de mesmo nome que certa emissora de rádio transmitia e que coincidia com o badalar do sino da igreja matriz de nossa cidade, à tardezinha, soando seis badaladas.

Naqueles momentos mamãe nos chamava para uma pequena reunião já conhecida por alguns de seus filhos presentes à época (eu dentre eles), a qual podia acontecer dentro de casa, na varanda ou no jardim.

Todos presentes, como cristãos católicos que fomos criados, procedíamos com prontidão à realização do Sinal da Cruz e, posteriormente, dizíamos a oração da Ave Maria.

No momento de fazermos essa oração da Anunciação (do Sim e da gravidez) de Maria nós, em sinal de imenso respeito, baixávamos as cabeças e reverenciávamos Àquela que teve a bem-aventurança de ser a escolhida para ser a mãe de Jesus de acordo com a Bíblia e historiadores.

Em tais momentos devocionais preciosos e de singela pureza e arrependimento, também fechávamos os olhos em sinal de contrição, isto é, com sentimento de arrependimento por qualquer maldade que tivéssemos praticado. E assim, fervorosamente, tendo postura ereta e mãos justapostas com os dedos todos voltados para o céu, falávamos a oração e assim permanecíamos até o final da oração da Ave Maria.

Terminada a oração, rezávamos o Glória e depois nos benzíamos com o Sinal da Cruz e, aí sim, podíamos nos desconcentrar e ficar, posturalmente, à vontade.

A primeira parte dessa oração, minha mãe ensinou, é bíblica e ressalta o momento em que Maria aceitou ser a mãe do filho de Deus, tendo sido dita pelo Arcanjo Gabriel à jovem virgem que estava prometida ao carpinteiro José.

São lembranças gostosas de fatos que se perderam no tempo devido às imposições de horários de trabalhos, estudos, etc. já que nós, irmãos, crescemos e já que as mudanças são necessárias.

Quanto à música "Meu bom José", sua letra nos traz outras perspectivas da Anunciação. Mas isso é assunto para outra hora.

MARINA IRENE BEATRIZ POLONIO, leitora da FOLHA

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