Hora de vender soja e milho
PUBLICAÇÃO
sábado, 16 de novembro de 2002
Oswaldo Petrin<br> Reportagem Local 
O agricultor que ainda não vendeu a soja tem até meados de dezembro para negociar o produto dentro das boas condições atuais de mercado, sujeitas apenas pequenas oscilações. Depois, o mercado entra numa fase de calmaria, só retomando em fevereiro. Certamente os preços serão menores nessa fase recessiva do mercado.
A observação também vale para o milho. Depois de janeiro (embora o quadro de desequilíbrio entre oferta e demanda deva permanecer por muito tempo), alguns fatores vão conspirar para recuo dos preços no curto prazo, um desses fatores é a proximidade da entrada da colheita de plantios feitos em setembro e favorecidos pelo clima.
No entanto, antes de meados de dezembro, o mercado continuará firme. No caso da soja, os preços internos, no disponível, se sustentarão independente do que ocorrer na Bolsa de Chicago, ou com o câmbio.
O empresário José Donizeti Pitolli, da Cerealista Pitolli & Villela, de Cornélio Procópio - que faz essa análise -, relaciona várias razões para o mercado interno permanecer firme nesse período. Uma dessas razões é que as indústrias moageiras têm compromissos de entrega de farelo e óleo.
''Essas empresas não vão se ausentar do mercado'', tranquiliza Pitolli, 15 anos de experiência no mercado.
O empresário acha que não é hora de sentar em cima da saca de soja nem do milho. ''Temos grande número de produtores que ainda não venderam a produção da safra colhida. O bonde está passando e esses produtores correm o risco de perder os bons preços vigentes''.
Uma observação: na terça-feira o preço do milho (mercado de lotes) chegou a pagar R$ 25,00/saca. Com o dólar a R$ 3,60, isto representa 6,95 dólares a saca, um bom preço. Mas, uma semana atrás estava a 7,14 dólares no mercado de lotes e, para o produtor, 6,20 dólares. Como se vê os preços já deram sinais de que podem recuar. Embora o mercado deva continuar comprador durante meses.
A leitura que Pitolli faz do cenário - válido de agora até meados de dezembro - é de um mercado paradoxal: enquanto as duas principais variáveis que dão sustentação à soja (Bolsa e câmbio) estiverem estáveis, o preço interno da oleaginosa, indiferente, estará em alta, sustentado por uma firme demanda interna dos dois principais derivados.
A demanda de óleo no País está em boa performance (tendo crescido 3,2% este ano) enquanto a demanda de farelo tem aumentando para suprir a escassez de milho na composição da ração animal.
Posição do Usda - Pitolli comentou ontem que o Departamento de Agricultura dos EUA (Usda) no seu relatório desta semana não reconhece uma produção brasileira, em 2001/02, de 41 milhões a 41,5 milhões de toneladas, como previram Abiove e órgãos do governo. O Usda voltou a prognosticar uma safra de 43,5 milhões de t.
Para 2002/03, o Usda projeta 49 milhões de t, um milhão a mais que o relatório anterior. Também aumentou em 1 milhão de t a safra argentina e 1 milhão de t a safra norte-americana. Enfim, a previsão do Usda elevou a produção mundial em 3 milhões de t. E considerou um estoque final na mesma proporção.
O Usda omite, contudo, a previsão de aumento da demanda mundial, apesar de ter um forte indicador dentro da própria casa: é que as exportações norte-americanas nas últimas semanas têm aumentado em média para 1 milhão de t.
José Pitolli está projetando um preço animador para a soja ano que vem: US$ 5,80/bushel ou US$ 10,50 a US$ 11,00/saca - nível de produtor.
Em 2003, o produtor vai ter uma condição bem mais favorável do que nos últimos três anos. Em 1999/2000, a média foi entre 8,70 e 9 dólares/saca. Em 2000/01, prevaleceram médias entre 9 e 9,5 dolares/saca. Neste ano, 2002, médias de 9,5 a 10,30 dólares/saca. E ano que vem 10,50 e 11 dólares/saca, um cresciento de 5%.
A interrogação é quanto ao valor referencial do dólar. A que taxa o câmbio será convertido. Seja como for é recomedável administrar bem os custos.


