Hora de vender a soja
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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2004
Reportagem Local 
O analista de mercado e consultor de empresas, Ismael Mologni, sugeriu esta semana que os produtores vendam parte da soja agora. Além do bom preço para esta época do ano, ainda estarão contribuindo para reduzir a pressão da oferta na hora do pico da comercialização. ''A venda agora, pega um bom momento e regulariza a oferta lá na frente, evitando a concentração que pode derrubar os preços'' - disse. Mologni observou que o primeiro semestre está sendo ''positivamente atípico'' e que este é um bom momento.
Mas o professor acha que as cotações internacionais da soja, nesta semana, sustentam um preço ainda mais alto do que os praticado nos últimos dias pelo mercado interno. A cotação de Chicago a US$ 9,33/bushel, ou 20,50 dólares/saca, converte cerca de R$ 60,00/saca em Chicago, em números redondos. Nessa proporção, mesmo com deságio, o mercado poderia pagar ao produtor paranaense em torno de R$ 54,00. No entanto, o preço praticado no Paraná, esta semana, girou em torno de R$ 46,00. Ainda que se considere alto, em comparação com os preços de três semanas atrás, a verdade é que o mercado internacional comporta um preço melhor na ponta da produção. Ou seja, a boa valorização da soja no cenário nacional e internacional, não está sendo repassada integralmente para o produtor.
Mologni aponta como causa a falta de infra-estrutura, citando entre outras a má conservação das rodovias, que onera o transporte. ''O corretor de exportação está prejudando o produtor em R$ 10,00'', resumiu.
O mercado também sofre os efeitos do monopólio no setor de compras (oligopsônio), acrescenta.
Vendas para EUA - Sobre a reação dos produtores norte-americanos, esta semana, contrários à importação de soja brasileira - para cobrir contratos daquele país feitos sem lastro em virtude da redução da safra americana -, Ismael considera natural, mas ressalva que os EUA terão que importar de algum lugar, inclusive no Brasil. Ele disse que o papel da American Soybin Association é o de defender seus produtores.
Observou que fazendeiros norte-americanos estão vindo ao Brasil para plantar soja e algodão. No Brasil as condições de clima possibilitam uma safra de soja e uma de algodão, coisa que eles não podem fazer nos EUA, por causa do inverno.
O Brasil é o no Player - comemora Ismael - e os produtores americanos estão apenas buscando uma melhor inserção no mercado.
O comportamento do mercado na última quarta-feira confirma a análise de Mologni. Naquele expediente, o indicador de preços da soja Esalq ficou em R$ 46,29/saca, alta de 1,29% no dia. Em dólar, o indicador ficou em US$ 15,74/saca, alta de 1,94%. O indicador é calculado pela Esalq com base nos preços do mercado disponível em cinco praças do Estado do Paraná.
Uma das causas para alta foram os problemas com a safra brasileira. Juntou tudo: seca em algumas regiões, na fase de enchimento de grãos. Depois, foram as chuvas, na fase de colheita. Chuvas e péssimas estradas prejudicaram e continuam prejudicando várias regiões produtoras, com exceção do Paraná. A falta de local armazéns para guardar a soja também é problema.
A Bolsa de Chicago ainda teve um forte motivo par especular positivamente. É que a empresa de consultoria norte-americana Sparks - cujas análises pendem um pouco para o lado da produção - soltou boletim, na semana passada, apontando redução na safra brasileira. Citou como fonte a própria Conab, que é oficial.
A Sparks anuncia uma produção brasileira de 57,5 milhões de toneladas. Apesar de o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) manter a sua estimativa em 60 milhões de t para a safra brasileira de grãos, o mercado se baseou nos dados da consultoria privada Sparks.
Chova ou faça sol, a previsão de 57,7 milhões de toneladas para a safra brasileira já está garantida porque os riscos climáticos daqui para frente serão cada vez menores e a safra está praticamente salva, apesar dos problemas de infra-estrutura: espaço para abrigar a colheita e estradas.
Com esta produção de soja, a safra brasileira de grãos deve superar os 130 milhões de toneladas. Segundo a Conab, houve um crescimento de 6,2% sobre a safra do ano passado, de 123,2 milhões de toneladas.
A soja contribui com um crescimento de 10,8%. A expansão em área foi de 14% nesta safra 2003-04, que está sendo colhida. Isto representa cerca de 21 milhões de há.


