Hora de refazer as contas
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sexta-feira, 16 de abril de 2004
Reportagem Local 
Vender a soja por US$ 15,00 em setembro e seis meses depois saber que o vizinho está conseguindo US$ 20,00 não é confortável. Os números podem não ser exatamente esses, mas não passam longe. Em agosto/setembro do ano passado, quando o preço da soja na Bolsa de Chicago não passava dos US$ 6,3/bushel (27,2 kg), agricultores brasileiros não poderiam imaginar que no primeitro trimestre deste ano, cerca de seis meses depois, a cotação da Bolsa pudesse chegar a US$ 10,00/bushel, em números redondos.
Em Goiás, a conta é diferente. Muitos produtores venderam a soja por meio de contratos futuros em setembro, quando a saca estava cotada a R$ 29, e agora, na hora da entrega, o produto está cotado a cerca de R$ 53 a saca.
Agora os produtores, do Sul ou do Centro-Oeste, querem renegociar. Acham justo. Não que as indústrias os tivesse enganado, mas porque a desproporção é muito grande. Em menos de três semanas, mais de 200 ações na Justiça.
O professor Ismael Mologni, cujas análises de mercado sempre são um alerta para o produtor, faz a seguinte observação. Não é porque a indústria pagou menos de 15 dólares por saco em setembro que ela tenha vendido por 20 dólares agora. Essa soja adquirida em setembro já está na lata de óleo. Portanto, a renegociação é defensável e plausível. Mas a conta não é essa. A soja adquirida seis meses atrás não está, necessariamente, estocada e, portanto, com seu preço atualizado. Ela foi negociada por um preço menor.
Pior que o diferencial - decorrente da evolução dos preços - é a diferença de preços motivados pelos prêmios. Mologni faz as contas e mostra que o produtor brasileiro está perdendo agora, neste momento, por culpa dos prêmios baixos, pagos nos portos. O monopólio de compra aproveitou as nossas deficiências portuárias e abusou no deságio, ou prêmio negativo.
'O deságio é de 1,35 por bushel, R$ 8,50 de diferença por saca. A conta é a seguinte: US$ 1,35/bushel vezes US$ 2,2 por saca, igual US$ 2,97 vezes a taxa de cambio. Da uns US$ 8 (8 dólares).
É uma rapinagem, segundo Mologni. O professor também observa que os preços dos insumos e equipamentos aumentaram em proporções bem mais acentuadas que a evolução dos preços da soja.


