Hora de planejar a próxima safra
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sexta-feira, 09 de junho de 2000
Cristina Côrtes De Londrina 
Expectativa é de que o principal produto da safra de verão, a soja, que ocupou 13,3 milhões de hectares (ha) no ano passado no País, cresça em produtividade e seja melhor remunerado na primeira safra colhida do milênio (2000/2001). A recuperação da economia nos países asiáticos deve estimular os preços do grão, e o uso de mais tecnologia deve melhorar a produtividade média. Esta é a avaliação do pesquisador Antônio Carlos Roessing, da Embrapa Soja.
Os custos de produção devem se manter estáveis, tanto na avaliação da Embrapa quanto do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab). Os técnicos esperam que os principais itens que compõem os custos, como as sementes, fertilizantes e herbicidas, que correspondem em média 50% do custo variável, não sofram grandes alterações de preços. Para esta previsão eles se baseiam, principalmente, na evolução da taxa cambial que, como indica o gráfico, deve sofrer pouca variação.
Principais produtosSegundo dados do Deral, o custo total da soja no plantio convencional, para uma produtividade de 44 sc/ha deve passar de R$ 15,17/sc em abril/99 para R$15,79 em abril/2000 uma variação de 4,1 % a mais. No plantio direto, para uma produtividade de 50sc/ha, este custo varia de R$12,34/sc (abril/99) para R$12,66/sc (abril/2000), uma variação de 2,6 %.
No caso do milho a variação no plantio convencional deve ser de 9,8% a mais, para uma produtividade de 70 sc/ha. Em abril/99 o custo estimado era de R$10,36/sc e abril/2000 R$11,36/sc. Já no plantio direto o aumento é menor, 6,8% para uma produtividade 100sc/ha. Em abril/99 o custo era de R$8,67/sc e agora em abril/2000 R$9,26/sc.
Para o feijão das águas, no plantio convencional para uma produtividade de 17sc/ha o custo total varia 6%, passando de R$32,73/sc (abril/99) para R$34,68/sc (abril/2000).
O café é o único produto que apresenta previsão de redução de custos. No plantio adensado com produtividade média de 120 sc/ha de café em coco, o custo passa de R$28,07/sc (abril/99) para R$27,02 sc/ha (abril/2000) uma redução de 3.7 %. Segundo Marcos Adami, do Deral, esta redução é explicada pelo barateamento do item mão-de-obra.
MetodologiaOs custos de produção podem variar muito conforme os itens e referências utilizadas. Segundo o pesquisador Antônio Carlos da Embrapa, hoje existe uma forte tendência, exigida pelo Governo, que estes cálculos sejam bastante localizados. Não é possível falar num custo de produção da soja para o Brasil todo, sem cometer erros. As regiões têm características diferentes, as tecnologias variam entre as regiões e até mesmo entre as propriedades. Cada vez mais estamos trabalhando com custos localizados, comenta.
Nas regiões onde as cooperativas são fortes, os custos com fertilizantes, por exemplo, podem ficar mais baratos. No Paraná, 75% da soja são comercializados via cooperativas. Outra mudança nos cálculos é com relação ao custo por sacas, que vai refletir quantas sacas o produtor produz por hectare.
Em algumas regiões do Paraná, por exemplo, os cálculos mostram um custo total de produção maior e o custo unitário por saca menor, por causa da expectativa de maior produtividade, explica. No Paraná, espera-se um produtividade de 2.800 quilos/ha em média, contra 2.517kg/ha, alcançados no ano passado.


