AlimentoA leucena pode ser comparável a alfafa em termos de proteína e de palatabilidade para o gadoO período de chuvas que está para começar no próximo mês é a época ideal para o produtor formar ou melhorar seu pasto, utilizando alternativas como as leguminosas de verão. O cultivo pode ser consorciado com gramíneas e servir de pastejo ou em área separada tornando-se um banco de proteínas.
O pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), José Pedro Garcia Sá, elaborou uma nova publicação sobre a leucena, uma das principais opções para a região Norte do Estado. Mas o produtor ainda pode escolher, dependendo da região e das condições de sua propriedade, entre a alfafa, a soja-perene, o guandu, a mucuna, o cornichão, o lab-lab e o amendoim Arachis pintoi, uma novidade no Estado.
‘‘O importante é que o produtor esteja consciente de que um pasto degradado tem baixa lotação, o que significa terra improdutiva. E procure mudar a idéia de estar sempre pensando em comprar mais e mais terra sem investir na qualidade e conservação do solo’’, destaca Sá.
Ganho de pesoAs leguminosas, em sua maioria, além de melhorar as condições de fertilidade do solo, são excelentes fontes de complementação na alimentação animal. Mas o produtor deve analisar criteriosamente na hora da escolha e implantação, levando em conta suas necessidades e condições de solo de sua propriedade.
Para a região de latossolo roxo, uma das leguminosas mais indicadas é a leucena. Seu valor nutritivo é comparável ao da alfafa. Tem 25% de proteína nas folhas e 17% nas hastes de até meio centímetro de diâmetro, podendo substituir totalmente os concentrados protéicos tradicionais como os farelos de soja e algodão.
A soja-perene também é uma boa alternativa para adubação e forragem
A leucena produz em média 15 toneladas de matéria seca consumível, sendo 70% desse total no verão e 30% no inverno. Segundo o zootecnista Humberto Carlos Vieira Codagnone, que administra a Estação Experimental do Iapar em Ibiporã, o feno de leucena é ideal para bezerros. Codagnone informa que novilhas holandês-zebu ganharam em média 870 gramas de peso ao dia em experimento no Iapar. E vacas holandesas produziram a mesma quantidade de leite quando alimentadas com silagem de milho e uréia, ou com ração com folhas de leucenas mais farelo de soja.
RestriçõesNa formação ou reforma de pastagem, o consórcio de uma leguminosa com uma gramínea é um ‘‘casamento perfeito’’ teóricamente, mas na prática nem sempre tem funcionado assim. O pesquisador Sá explica que as dificuldades começam com algumas diferenças: a leguminosa cresce de forma mais lenta, enquanto a gramínea cresce mais rápido. ‘‘Quando as duas estão juntas a leguminosa fica com um porte mais rasteiro e o gado acaba pisoteando, e alimenta-se apenas da gramínea’’, completa.
Marcos BorgesUma novidade e esperança para solos mais pobres é o amendoim forrageiro
A leucena é uma planta de estabelecimento lento, principalmente na primeira fase depois da germinação das sementes, porque apresenta baixa competição com plantas invasoras. Também é exigente em clima e solo, preferindo solos corrigidos, de melhor fertilidade e drenados, e exige manejo cuidadoso, por se tratar de planta arbustiva, que pode crescer além do alcance do animal.
Apesar de seu valor nutritivo, não pode ser dada em larga escala para o animal, pois oferece riscos de intoxicação, alerta Sá. Um animal, por exemplo, de 400 quilos, pode consumir 12 quilos de leucena diariamente. O sintoma mais claro de intoxicação é a queda de pêlos da cabeça e da cauda.
Outras opçõesA soja-perene é outra leguminosa que pode ser utilizada como adubação-verde e também como forragem. Em consórcio, as gramíneas deverão sofrer vários pastejos leves, principalmente no ano da implantação, para evitar-se o domínio sobre a soja perene. Normalmente é cultivada em terra férteis, sendo bastante utilizada na formação de pastegns nas terras roxas do Norte do Paraná.
O guandu é uma leguminosa arbustiva, anual e semiperene, com vida até três anos. Planta rústica, que fornece forragem e grãos ricos em proteínas. Tem apresentado bom comportamento em todo o Paraná, destacando-se pela elevada produção de biomassa.
O lab-lab é uma leguminosa usada desde a atinguidade para a alimentação humana e também como forragem verde para bovinos e equinos. Planta de clima tropical, não tolera geadas fortes, e cresce em diferentes tipos de solos (argilosos e arenosos). Pode ser ensilada juntamente com milho ou sorgo.
A mucuna-preta é a espécie de mucuna mais conheciada no Brasil. Apresenta razoável desenvolvimento à sombra e rápido crescimento em condições de umidade, boa insolação e fertilidade. Além de adubação e forragem, tem capacidade de atuar na diminuição de populações de nematóides.
O amendoim rasteiro ou Arachis pintoi é uma novidade que vem se mostrando uma esperança para as regiões de solos mais pobres. Apesar de nativa no Brasil, a especíe conquistou outros países como Austrália, Colômbia e Bolívia, de onde têm vindo as sementes para o Brasil. Planta rústica de porte baixo, é fixadora de nitrogênio e promove uma boa cobertura do solo, controlando invasoras.

mockup