HORA DE INVESTIR - Surfando na onda da recuperação
Apesar do crescimento tímido e baixa projeção do PIB, curva de ascensão da economia do País é sólida e de oportunidades para o agronegócio, diz especialista
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sábado, 13 de abril de 2019
Apesar do crescimento tímido e baixa projeção do PIB, curva de ascensão da economia do País é sólida e de oportunidades para o agronegócio, diz especialista
Victor Lopes - Grupo Folha 

A equipe do presidente Jair Bolsonaro (PSL) completou pouco mais de 100 dias de governo e já passou por alguns solavancos, é indiscutível. Na pasta da agricultura, o principal mal estar foi em relação à comercialização de carne de frango junto aos países árabes, que balançou quando o presidente anunciou o desejo de transferir a embaixada em Israel para Jerusalém. Mesmo com o tal deslize diplomático, o agronegócio tem escapado da maioria das polêmicas, continua crescendo de forma consistente e bem mais 'apaziguado' comparado a outras pastas.
Neste cenário - segundo análises macroeconômicas - este é o momento do produtor investir. Apesar do crescimento ainda ser tímido e a projeção do PIB estar na casa dos 2% para 2019, analistas apontam que a curva de ascensão é sólida, seguindo a tendência de outros momentos históricos que o Brasil viveu pós-crises, a última pesada no governo Dilma Rousseff. O economista, Ricardo Amorim, que esteve esta semana na ExpoLondrina durante o 3º Fórum do Agronegócio, decretou: “Oportunidade é boa quando ninguém acredita, quando todo mundo acredita, ela já passou”. É preciso surfar na onda da recuperação. E agora.
Como é comum no agro – e diversos setores – o produtor (ou investidor) só acreditar no negócio quando chega a “fase da prosperidade”, ou seja, o topo da curva de crescimento econômico. “Nada sobe para sempre. O fundo do poço do Brasil foi encontrado a oito trimestres, hoje estamos no início de uma curva de crescimento. É hora de surfar em tudo o que vem pela frente. Se as pessoas ficam otimistas só no topo da curva, acabam investindo às vésperas de pegar a 'montanha-russa' para baixo.”
Amorim relata que ao longo dos anos do Dilma, o Brasil retraiu 11%, “a crise mais profunda e longa da história”. O economista comenta que mesmo com a impopularidade de Temer e as crises políticas e delações, enquanto ele esteve na presidência o País voltou a crescer e deve continuar nesta pegada. “Mesmo que o governo atual tenha suas próprias cascas de banana para pisar, acho muito difícil uma crise neste primeiro ano. A média que o Brasil cresce depois de crises econômicas é de 5%. O governo Bolsonaro precisa ser tão ruim e incompetente quanto o governo Dilma. É possível? Tudo é possível no Brasil, mas vai precisar se esforçar demais. Não é tarefa fácil.”
O que pode atrapalhar esse crescimento eminente, segundo o especialista, são dois fatores fortes: a não aprovação da reforma da Previdência - o que ele considera bem improvável - ou uma crise econômica forte nos EUA. “O processo de crescimento da economia americana é muito longo, de nove anos, o que não acontece desde a Segunda Guerra Mundial. Quando esse motor desacelerar, isso significa uma redução na demanda mundial de commodities, incluindo as agrícolas. Nós sentimos isso, que uma hora a recessão americana vai acontecer, mas não sabemos exatamente quando. A projeção é de no máximo dois anos.”
Mesmo assim, o Brasil tem um mecanismo de proteção interessante para enfrentar adversidades, como aconteceu, inclusive, durante o governo Dilma. “Mesmo com a queda do preço, a renda dos produtores se manteve. Isso porque quando o 'bicho aperta', o dólar vai lá em cima e aumenta a rentabilidade do produtor. É claro que há efeitos colaterais, como os produtos importados mais caros e a taxa de juros elevada, mas é um mecanismo que por exemplo os produtores americanos não têm. O agro brasileiro está melhor posicionado que o americano e não por acaso temos tomado o mercado deles no últimos 20 anos e vai continuar assim nos próximos 20.”
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