Hora de iniciar compra de touros
Cláudia Barberato
De Londrina
A oferta de machos para reprodução acontece durante o ano todo, mas é intensificada a partir do segundo semestre, por causa da proximidade da estação de monta, que deve ser programada, segundo recomendação dos técnicos, a partir de outubro. De setembro para frente, além de comprar touros em propriedades, é maior a opção dos pecuaristas para compra em leilões por todo o Brasil.
Um macho inicia sua vida sexual e reprodutiva entre os dois e três anos de idade. Aos três anos está apto a entrar na estação de monta e terá que dar conta de cobrir, no mínimo, 30 vacas.
A compra de reprodutores poderá ser feita de duas maneiras: o animal ou o sêmen. Há o uso do animal no campo, cobrindo as fêmeas em monta natural; ou a compra de sêmen para inseminação do rebanho, através de touros que estão em centrais de inseminação.
Touros provadosOs técnicos indicam a compra de reprodutores provados, através de programas de melhoramento genético. O uso contínuo de touros melhoradores traz vantagens econômicas na precocidade sexual e de terminação, fazendo com que haja maior uniformidade no rebanho, com mais bezerros nascidos por ano em menor tempo.
No Brasil, fala-se da necessidade de mais de 1.500 milhão touros por ano, para atender de 40 a 50 milhões de fêmeas em idade reprodutiva;
Segundo o veterinário Leonardo Souza, do Núcleo de Zootecnia, uma empresa ligada à central de inseminação Lagoa da Serra, de Sertãozinho (SP), a oferta de machos é bem inferior a isso. A empresa faz o Paint, programa de avaliação de touros, com o uso de DEPs (Diferença Esperada na Progênie) e Ceip (Certificado Especial de Identificação de Produção).
Só da raça nelore, no Brasil, além do Paint, existem outros três grandes projetos de avaliação de touros. Há o Programa de Melhoramento Genético da Raça Nelore (PMGRN), da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto (SP); o programa da Agropecuária CFM, no interior de São Paulo; e o Delta G da Fazenda Jacarezinho, também no Estado de São Paulo.
Só estes quatro programas, segundo Souza, colocam, em média, quatro mil novos touros no mercado por ano. Este ano o Paint terá 600 touros, a CFM 1.500, a Jacarezinho de 1.000 a 1.300 animais e o programa da USP, que não tem estrutura de comercialização, só os próprios criadores vendem, deverá dispor de 1.000 touros. Outras raças bovinas também mantêm seus programas de melhoramento genético.
Necessidade é maiorDe acordo com dados do Anualpec 99, editado pela FNP Consultoria & Comércio, de São Paulo, a necessidade anual de touros só para reposição no Brasil é de aproximadamente 300 mil. Enquanto isso, o número de vacas controladas, somando todos os programas de melhoramento oficiais e independentes, é dessa mesma ordem.
Na realidade, segundo José Vicente Ferraz, da FNP, seria preciso estar controlando a produção de cerca de três milhões de vacas, dez vezes mais do que o número atual. Segundo prevê a publicação, neste ano, o número de touros geneticamente comprovados, para substituir os animais que estão deixando a idade reprodutiva, a serem ofertados em leilões e vendas particulares, este ano, não irá além de 10 mil, o que é bem abaixo da demanda.
Critérios seletivosA fertilidade é uma características importantes na escolha de reprodutores, além da precocidade sexual e capacidade reprodutiva. Normalmente as avaliações são feitas nas DEPs, ou seja, na capacidade do touro em transmitir suas melhores características a seus filhos.
Hoje, de acordo com Souza, do Núcleo de Zootecnia, é possível ter acesso a DEPs de até 17 características distintas, permitindo ao produtor escolher os touros, de acordo com os objetivos de seu sistema de produção.
Programas de melhoramento de grande porte, como os da Conexão Delta G e da CFM, que envolvem mais de 100 mil matrizes em avaliação, devem ser priorizados no momento da escolha de um reprodutor, garante Ferraz.
De acordo com o veterinário e criador Heydmilson Eggerath, diretor-adjunto da Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ), a ecolha dos reprodutores deverá ser sempre com o objetivo de melhorar o plantel. O pecuarista, aconselha, deverá escolher animais que tenham testes de progênie; touros melhoradores, com bom desenvolvimento e que seus pais (os dos touros) participem ou tenham participado de provas de ganho de peso.
Hoje, segundo o veterinário Eggerath, um bom macho, para trabalhar 30 vacas aneloradas e fazer bezerros de corte, custa a partir de R$2 mil. Mas o pecuarista que vai adquirir bons animais para reprodução, alerta Eggerath, deverá ter cuidado com as condições de manejo alimentar, sanitário e mineralização. Não adianta comprar um bom reprodutor e não lhe dar condições mínimas para trabalhar.
Tudo contaUma das garantias do bom raçador é o exame andrológico para saber as aptidões e detectar as possíveis anormalidades. O andrológico começa no campo, com a medida do tamanho do testículo (medida da circunferência escrotal) e exame dos órgãos genitais.
De acordo com o tamanho do testículo é possível atestar se o animal está dentro da média de sua raça. Para um bovino com maior massa testicular pode-se presumir maior produção de espermatozóides e, consequentemente, mais fertilidade.
O tamanho do testículo é uma característica herdável. Bovinos com testículos grandes podem transmitir a característica aos filhos. No caso das fêmeas, elas terão ovários maiores, resultando em melhor habilidade reprodutiva. Mas não é só o tamanho do testículo que conta. A coleta de sêmen a campo, mais a análise dos espermatozóides em laboratório e o teste de desejo para a atividade sexual (libido), completam o andrológico.
Ganho genéticoInformações do Programa de Melhoramento Genético da Raça Nelore (PMGRN), da USP, de Ribeirão Preto (SP), garantem que o ganho genético do uso de DEPs é 1,5 quilo/ano o que representa, em 15 anos, uma arroba por animal, e isso continua no rebanho, já que é ganho genético.
DEPs para tudoExistem outros grupos que fazem a análise para definir os acasalamentos. O Programa Natura do Rio Grande do Sul, por exemplo, também trabalha com uma estimativa de como será o desempenho médio das crias de um determinado touro em comparação com a do touro-base. O animal base é um macho 3/8 brangus. Basicamente as características de produção analisadas são: ganho de peso, conformação, precocidade e musculosidade. De acordo com informações do site do Natura na Internet, as avaliações genéticas são feitas com base na Metodologia dos Modelos Mistos Modificada (Método Gensys).
PioneiraA Agropecuária CFM, é uma das pioneiras na venda comercial de touros com DEP. Todos os índices são de animais criados e recriados em regime de pasto. As DEPs são calculadas pelas diferenças obtidas entre animais do mesmo grupo contemporâneo, ou seja, animais da mesma fazenda, mesmo sexo, mesma estação e ano de nascimento e mesmo manejo.
A análise é feita com base no peso ao nascer, peso à desmama, para ganho de peso da desmama ao sobreano, para ganho de peso ao sobreano, para conformação, precocidade, musculosidade, perímetro escrotal e habilidade materno total.





