Hora de celebrar a uva
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sábado, 05 de dezembro de 2009
Erika Zanon<br> Reportagem Local 
O momento é de comemoração. Em Marialva (17 km a leste de Maringá), a hora é de celebrar o cultivo da uva, principal atividade agrícola do município. Desde o início da semana, a cidade está bastante movimentada por conta da 17 Festa da Uva Fina, que termina amanhã. Na região central, foi montada uma estrutura para receber mais de 100 mil pessoas nestes dias de festa, com exposição de diversos produtos, parque de diversões e shows artísticos. Conhecida no Estado como Capital da Uva, Marialva também realiza exposição da produção dos agricultores locais e escolhe o melhor cacho.
Apesar do burburinho no meio urbano, é no campo que se pode ver e comprovar por que razão se festejar a uva. Parrerais coloridos, repletos de frutos graúdos e adocicados, enfeitam a área rural e os olhos de produtores e visitantes. Este ano, apesar da alta incidência de chuva na região ter atrapalhado o início da brotação e a expectativa do volume de produção ter sido reduzida em 30%, a qualidade desta safra vai agradar o paladar dos mais exigentes.
''Como a chuva atrapalhou o início da brotação, menos cachos se desenvolveram. Então, os parrerais tiveram mais energia - e nutrientes - para colocar nesses brotos que ficaram'', explica Valdinei Cazelato, secretário de Agricultura, Meio Ambiente e Turismo de Marialva. A uva, conforme ele, não suporta muitos excessos climáticos, muita chuva ou muito calor atrapalham. ''E este ano tivemos um inverno intenso e chuvoso'', avalia o secretário. Para o produtor, vai haver equilíbrio na rentabilidade, acrescenta ele, não teve muita quantidade mas como a uva está mais bonita o preço fica melhor. O produtor tem recebido em média R$ 4 por quilo.
Experiente na produção da fruta, o agricultor Jair Imbriani, 51 anos, conta que este ano foi atípico, pois geralmente no momento em que faz a poda - no mês de junho - o clima é mais seco e ajuda na brotação. ''Mas esse ano choveu e o desenvolvimento dos brotos foi diferente. O bom é que a qualidade melhorou, a uva está mais bonita'', diz o agricultor, há 21 anos no ramo. Segundo ele, na verdade, a atividade é um segredo porque cada safra é diferente uma da outra. ''E se a pessoa diz que já sabe plantar uva, ainda tem muito que aprender'', brinca.
Imbriani revela que todos os dias comparece na Chácara Boa Vista, onde tem 2,5 hectares de uvas plantados, para cuidar da produção. ''Elas precisam de tratamentos especiais. Venho aqui tiro alguns bagos podres e fico de olho'', comenta o agricultor que no local optou por quatro variedades, todas fina de mesa: itália, rubi, brasil e benitaka. Quando bem cuidados, cada pé de uva pode gerar entre 70 e 100 cachos.
O zelo pela produção não é dispensado nem na hora da colheita. Imbriani só corta um cacho para ser levado ao mercado depois de fazer a medição com o refratômetro - aparelho que mede o brix da fruta, ou seja, a quantidade de doce, para não liberar uvas verdes para o consumidor. Na opinião dele, todo cuidado é fundamental para cada vez mais disponibilizar frutas de boa qualidade. E reforça que a Festa da Uva, é um momento importante pois destaca e valoriza o trabalho de produtores e do município.
O secretário de Agricultura ressalta que em Marialva as principais variedades produzidas são itália, rubi, benitaka e brasil. Mas também há em pequena escala produção de uvas rústicas para a produção de sucos e vinhos. No município há uma vinícola, da cooperativa dos viticultores. Este ano, quem comparecer à festa, por exemplo, vai poder se deliciar com a produção de vinho local.
Cazelato também comenta que pequenas ''experiências'' com uvas sem semente estão sendo realizadas por alguns produtores. Ele lembra que há 5 anos a Embrapa fez o lançamento de três variedades dessas - clara, linda e morena - mas apenas a clara se adaptou ao clima local e tem sido produzida. Outra variedade sem semente sendo produzida na região é a centenial - de cor verde e muito doce. O município colhe duas safras por ano, a expectativa para o ciclo atual (2009/10), é de uma colheita de aproximadamente 45 mil toneladas. A produção de uva em Marialva é a principal atividade da cidade, emprega mais de 7 mil pessoas e representa um terço do Produto Interno Bruto, atualmente em R$ 360 milhões.


