Hora da verdade para soja paranaense
PUBLICAÇÃO
sábado, 26 de janeiro de 2019
Victor Lopes <br> Reportagem Local 

A sorte foi lançada sobre os resultados da produção de soja paranaense na temporada 2018/2019. Com a colheita já na casa dos 15% - ganhando ritmo no Norte do Estado - e os números da quebra mais claros divulgados pelo Deral (Departamento de Economia Rural) da Seab (Secretaria da Agricultura e do Abastecimento), o sojicultor começa a projetar suas estratégias de venda da oleaginosa e também pensar no plantio do milho safrinha.
Nesta última semana, em que o Paraná recebeu pela primeira vez a nova ministra da Agricultura (Mapa), Tereza Cristina, justamente para a solenidade "Abertura Nacional da Colheita da Soja", em Apucarana, o clima era de otimismo pelas mudanças no comando do Ministério, mas também de uma "pulga atrás da orelha" sobre como a safra vai se desenrolar até o final da colheita. A reportagem da FOLHA traz nesta edição a projeção de meteorologistas, analistas de mercado, produtores e representantes de entidades ligadas a soja para saber a expectativa deste cenário ainda volátil.
A previsão da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) é de que a safra brasileira de soja atinja a marca de 118,8 milhões de toneladas, abaixo dos 120 milhões do ano passado. No Paraná, o volume da oleaginosa deve registrar uma redução de 14%, segundo o Deral. A estimativa inicial de uma safra de 19,5 milhões de toneladas foi reduzida para 16,8 milhões de toneladas. Um prejuízo de R$ 3 bilhões aos produtores, considerando preços médios de mercado.
O clima seco e as altas temperaturas registrados, principalmente nos meses de novembro e dezembro do ano passado foram os grandes vilões da safra. Agora, o medo está se as chuvas vão continuar tão espaçadas e irregulares daqui em diante. As regiões mais afetadas até aqui com as perdas foram as de Toledo, com redução de 39% em relação à estimativa oficial; seguida de Umuarama (25%), Campo Mourão ( 23%), Francisco Beltrão (22%) e Paranavaí (19%). No Norte, em que o plantio foi mais atrasado, a estimativa é de perdas de 10% a 15%.
O economista do Deral, Marcelo Garrido, relata que desde a safra 2011/12 o Estado não registrava grande frustração com a soja. O calor excessivo, inclusive, fez que a colheita fosse antecipada numa área de 5,4 milhões de hectares. "No ano passado, nessa mesma época a colheita ainda não tinha iniciado", comparou. O presidente da Aprosoja-PR, Márcio Bonesi, não titubeia em dizer que o veranico severo no final do ano passado tornou o ano difícil para o produtor, já que a "colheita será pequena". "E neste momento que precisamos do seguro rural, sabemos que aqui no Paraná ele não evoluiu da maneira que o produtor precisa", lamenta.
MILHO SAFRINHA
Em relação ao milho safrinha, os números do Deral são bem mais animadores. A projeção é de um plantio numa área de 2,19 milhões de hectares. Até o dia 21 de janeiro, a área plantada para a cultura no Estado era de 17%. A expectativa é uma produção é que atinja 12,6 milhões de toneladas, com uma produtividade projetada de 5,78 mil quilos por hectare. Até aqui, as lavouras estão em boas condições.



