A produção suína brasileira deve ter um novo destino principal ainda este ano. O mercado consumidor da Rússia, que até então mantém a posição de principal importador de carne suína nacional, deve dar lugar ao de Hong Kong. De janeiro a outubro deste ano, o País exportou 120,73 mil toneladas de carne suína para a Rússia, diante das 107,50 mil toneladas destinadas à Hong Kong. Se comparado ao volume importado no mesmo período do ano passado, a comercialização com Hong Kong apresentou aumento de 32,42%, enquanto com a Rússia sofreu decréscimo de 41,56%.
De acordo com o presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), Pedro de Camargo Neto, a redução das importações feitas pela Rússia foi causada exclusivamente pelo embargo, que já dura cerca de cinco meses e ainda tem futuro incerto. Já o aumento das vendas para Hong Kong estão diretamente ligadas à ascensão do consumo da China. Segundo ele, esse fator torna a Ásia um grande consumidor de carne suína. ''A Ásia é um grande destino para a carne suína e o futuro do nosso segmento está relacionado a países como China, Japão e Coreia, que propiciam grandes potenciais para a produção brasileira'', analisa.
Camargo Neto avalia também que o aumento do consumo asiático é uma maneira para que o Brasil não fique refém de um único mercado consumidor. O crescimento de outros mercados nota-se também nas vendas de carne suína brasileira para Ucrânia, Angola, Cingapura, Uruguai, Albânia, Venezuela e Haiti. A previsão do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) é de que em 2012 a Rússia deixará de ser o segundo maior importador mundial, posição que passara a ser ocupada pela soma de Hong Kong e China. Atualmente, o primeiro comprador é o Japão, com 1,2 milhão de toneladas por ano.
Segundo levantamento da Abipecs, em outubro, as vendas para o mercado russo caíram 83,77% em toneladas, ante outubro de 2010, enquanto para Hong Kong houve crescimento de 36,75% no período comparado. Até outubro, o Brasil exportou um total de 436,45 mil toneladas de carne suína, apresentando uma redução de 5,51% em relação aos dez primeiros meses de 2010. A receita obtida até agora foi de US$ 1,2 bilhão, incremento de 5,85 diante os R$ 1,1 bilhão de janeiro a outubro de 2010. Somente no mês de outubro, houve uma redução das exportações de 7,07% em volume e um aumento de 8,64% no faturamento.
O aumento do faturamento está relacionado à elevação do preço médio de 16,90% registrado em outubro e de 12,05% nos dez primeiros meses do ano. Além de Rússia e Hong Kong, a Ucrânia ocupa o terceiro lugar entre os destinos da carne suína brasileira. De janeiro a outubro deste ano, o país do Leste Europeu comprou 53 mil toneladas, um crescimento de 43,63%, em relação a igual período de 2010. A Argentina é o quarto maior mercado comprador, com crescimento de 21,75% em outubro, seguida de Angola, com aumento de 5,51% no mês.
Segundo o USDA, em 2011, as importações totais de carne suína da Rússia devem somar 930 mil toneladas, enquanto China e Hong Kong, juntos, importarão 910 mil toneladas. A expectativa para 2012 é de que os volumes passem, respectivamente, a 700 mil toneladas e 940 mil toneladas.

Imagem ilustrativa da imagem Hong Kong se torna principal mercado para suínos brasileiros