A veterinária e bióloga Maria do Carmo Arenales, que desde 1980 trabalha com homeopatia, acredita que à medida em que as áreas de cultivos orgânicos para a produção de grãos e outros alimentos, forem crescendo deverá aumentar também o uso da homeopatia na agricultura. A homeopatia, garante a técnica, é mais uma ferramenta, aliada ao manejo integrado de pragas, ''para a oferta de alimentos mais saudáveis, com menos resíduos químicos, destinados a atender um mercado que pague mais por isso, agregando mais valor a produção.''
Hoje, segundo Maria do Carmo, a homeopatia tem sido utilizada em pequenas áreas para produção de hortifrutis. A adoção na agricultura de grandes áreas, admite, ainda não é viável por falta de pesquisa, experimentos, conhecimentos técnicos e científicos - cenário que ela acredita mudar no curto prazo.
Maria do Carmo está estudando também Agronomia e pretende trabalhar com homeopatia em grandes lavouras. Por enquanto, faz experimentos e testes em cultivos de frutas e hortaliças. ''Quando a homeopatia for adotada em grandes lavouras o agricultor vai gastar apenas 10% do que gasta hoje no sistema tradicional para controle e combate de pragas e doenças'', garante.
No caso da agricultura, ela acredita que a adesão a esse sistema de produção será mais lenta, ''porque existem muitas variáveis a estudar para a viabilização da homeopatia que afetam cada atividade de maneira particular como clima, solo, tipos de pragas ou doenças, que são diferentes em cada região do País, entre outros fatores.'' O uso em hortaliças, frutas e flores, segundo Maria do Carmo, pode trazer uma redução de até 80% de gastos com defensivos agrícolas.
Por enquanto, a técnica está indicando o uso da homeopatia cultivos de áreas menores, que demandam grande uso de produtos químicos e intensa mão-de-obra, a fim de reduzir os custos, causar menor efeito ambiental, menor risco ao trabalhador rural e proporcionar a produção de alimentos livre de resíduos químicos. ''Cultivos de hortaliças, como o tomate, ou frutas, como o côco anão, além de flores, podem ter o controle de pragas, insetos e fungos a partir desses medicamentos.''
A adoção do sistema homoepático, orienta Maria do Carmo, deve fazer parte de todo um modo de produção. A exemplo da agricultura orgânica pode ser implementado aos poucos, utilizando manejo integrado de pragas, fitoterapia, plantas companheiras, entre outros métodos naturais de produção.
Um dos primeiros experimentos com homeopatia de Maria do Carmo é uma área de mil pés de côco anão que ela mantém em Presidente Prudente (SP). Lá, segundo ela, o medicamento já comprovou eficiência no controle de fungos, insetos e pragas, além de nutrir os coqueiros. Como o plantio demora oito anos para produzir comercialmente só agora, aos seis anos de cultura, já começam a aparecer os primeiros frutos, com um terço da produção que deverá ser total apenas daqui a dois anos. ''Um fungo que apareceu na área e foi combatido com a homeopatia poderia ter inviabilizado a produção.''
A homeopatia é uma técnica terapêutica comprovada em vegetais que usa medicamentos dinamizados, energéticos, onde a fonte pode ser extrato vegetal ou animal ou até mesmo das próprias pragas, num tipo de ''vacina'' para estimular a defesa das plantas. Há também uso de extratos minerais como arsênico, mercúrio, sal de cozinha, entre outros.
O uso da homeopatia na pecuária já não é novidade para Maria do Carmo, que dá assessoria em rebanhos de corte e leite em várias regiões do País. Além da assessoria, Maria do Carmo faz também a produção dos medicamentos a serem utilizados no manejo dos animais.
Na pecuária de corte, por exemplo, ela garante que o uso da homeopatia reduz em até 40% os custos com medicamentos veterinários tradicionais para combater endo e ectoparasitas como moscha-do-chifre, carrapato e berne, entre outros. Na pecuária leiteira, garante que a economia na compra de medicamentos veterinários é ainda maior: ''pode chegar a 90%.'' Além disso, segundo a técnica o produtor de leite pode fazer o tratamento tanto preventivo quanto curativo da mastite, doença que causa grandes prejuízos não só pelo alto custo de medicamentos, mas também pelo descarte do leite.
Segundo Maria do Carmo tem aumentado o uso da homeopatia também na suinocultura e avicultura, principalmente depois que os mercados exportadores, sobretudo o europeu, restringiu a compra de carne de animais alimentados com determinados antibióticos ou promotores de engorda desses animais. ''A homeopatia também pode ser adotada nessas atividades para fazer o controle de mosca ou até resolver problemas de resistência aos antibióticos e bactérias.''
Conforme o mercado e os consumidores vão determinando suas preferências, afirma a técnica, as atividades de produção de alimentos, também têm se alinhado na produção com qualidade e segurança alimentar.
Segundo Maria do Carmo temas como homeopatia, uso de plantas medicinais, fitoterapia, entre outras alternativas, vem ganhando espaço a cada dia, especialmente nos institutos de pesquisa e ensino na área agronômica. ''Universidades como a Federal de Viçosa (MG) ou da de Maringá, no Paraná, estão trabalhando com experimentos na área.''
A cada ano, continua Maria do Carmo, aumenta também o número de eventos destinados a divulgar esse tipo de manejo. Um dos próximos eventos destinados ao assunto será 4º Seminário Brasileiro sobre Homeopatia na Agropecuária Orgânica, programado para o período de 1º a 4 de agosto em Medianeira, no Paraná. Maria do Carmo será uma das palestrantes. O evento será realizado no Centro Popular de Cultura Arandurá e tem promoção da Universidade Federal de Viçosa e Fórum Oeste das Entidades para Desenvolvimento da Agricultura Familiar. Há apoio da Emater, Seab, Unioeste, sindicatos, cooperativas e associações de produtores, com realização da prefeitura.

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