Hobbie que dá lucro
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sexta-feira, 24 de junho de 2005
Jacira Werle<br> Reportagem Local 
Canto que encanta. Delicadeza e cores que fazem admirar. Para um criador de canários ter a primeira ave é a desculpa para impulsionar a paixão e aumentar o número de moradores no canaril. Como cada fêmea pode botar até cinco vezes por ano uma média de quatro ovos por vez, gerando até 20 filhotes ao ano, comercializar os pássaros é uma necessidade para controlar a população de aves. Financeiramente, vender as aves garante o custeio da criação e até um certo lucro ao produtor.
O criador de canários, Claudionor Bigattão, começou a criação de aves há cinco anos. Ele lembra que o filho ganhou um passarinho e a família resolveu comprar mais um para formar um par. Depois disso, como Bigattão faz questão de enfatizar, ''o alpiste entrou na corrente sanguinea e de lá não saiu mais''.
Exitem três tipos de canários: de porte, cor e canto. Para os primeiros o que importa é estrutura física do pássaro. No de cor a pigamentação da ave é a característica primordial. Já no terceiro tipo, o de canto, como o próprio nome já diz, é a sonoridade emitida pela ave o atrativo principal da ave. Em Londrina há criadores de canários de porte e cor.
Atualmente, Bigatão possui cerca de 450 pássaros, distribuídos em 22 espécies de canários de porte. Bigattão explica que o período reprodutivo da espécie estende-se de agosto a dezembro, principalmente. No último ano a produção de filhotes no canaril dele chegou a 550 aves. A maioria delas é comercializada para outros criadores. '' Todo o criador precisa vender para conseguir controlar o número de pássaros. O melhor de produção eu não vendo fico para participar dos concursos'', relata. Segundo ele, o valor adquirido com a comercialização dos pássaros é suficiênte para cobrir os custos da atividade e ainda sobra lucro para o produtor.
Outro criador de canários de porte, Luiz Carlos Rigoni, sem revelar o lucro obtido com a atividade, relata que cada exemplar é vendido na faixa entre R$ 30 a R$ 250, dependendo do canário. A venda ocorre em feiras e na casa do proprietário. Entre as oito espécies criadas por ele estão canários da Inglaterra, França e Itália. Nesse tipo de criação o que importa é a perfeição da ave, penas do tamanho correto formando desenho irretocável. A elegância na hora de ficar em pé no poleiro, seja com os joelhos arqueados ou pernas retas, também conta na hora dos concursos, atividade corrente na rotina dos criadores de canários.
Rigoni conta que o reencontro com os pássaros aconteceu há 15 anos, também por causa de um presente. Ele lembra que quando era criança costumava criar alguns pássaros, ao crescer afastou-se dos animais, retormando a antiga paixão quando ganhou um canário. '' Ganhamos um macho e acabamos comprando uma fêmea para ele não ficar sozinho'', conta a esposa, Terezinha Rigoni.
Depois de anos dedicados a criação de pássaro o número de animais chega a 80 casais matrizes, mais casais de 50 de amas-secas, além dos 300 filhotes produzidos todos os anos. Como a população cresce os gastos também aumentam. Ele calcula custos de cerca de R$ 500 ao mês, sem somar o trabalho que ele e a esposa dedicam a atividade. '' Para nós é como se fosse um robbie remunerado'', assegura Terezinha.


