História e desenvolvimento rural
Florindo DalbertoÉ um momento de muita emoção voltar a este espaço na data histórica em que a Folha Rural comemora seus 30 anos. Como primeiro editor deste caderno acompanhei toda a trajetória do suplemento como um pai acompanha seu filho. E vi, assim como vejo o Iapar e a agricultura do Paraná, crescer, passar por crises, superar dificuldades e, também evoluir, acompanhando as tendências do nosso tempo.
A Folha Rural, nesses 30 anos, superou todas as melhores expectativas daquele pioneiro grupo de técnicos, ligados à Associação de Engenheiros-Agrônomos, preocupado com o intercâmbio de informações técnico-científicas e foi cumprindo seu papel: transformou-se, ao longo do tempo, em agente de mudanças da história da agricultura do Paraná, e referência básica de consulta e informação tecnológica. ‘‘Deu na Folha Rural?’’, é a pergunta mais comum entre os técnicos para saber o que é e o que não é novidade na área.
Mas não só de informações técnicas e científicas foram as pautas, matérias e reportagens da Folha Rural. Ela também testemunhou e reportou muitos movimentos em defesa da agricultura, inclusive daqueles que contribuíram decisivamente para mudar o perfil tecnológico do setor no Paraná.
Refiro-me, e até com orgulho, que a própria criação do Instituto Agronômico do Paraná se constituiu em uma dessas etapas. Nascido das demandas do setor produtivo, quando a Sociedade Rural do Paraná liderou, com homens de visão como Celso Garcia Cid, Francisco Sciarra, João Ribeiro Júnior e tantos outros, um amplo movimento de pessoas e entidades para a instalação do IAPAR em Londrina no início dos anos 70.
Através da Folha Rural o Paraná viu as transformações vividas pela agricultura naquele período, com o fim da monocultura do café e o início do chamado ‘‘processo de modernização’’, com a introdução da mecanização, dos agroquímicos e dos impactos sociais e ambientais causados pelo modelo da época.
A Folha Rural acompanhou, com o olhar crítico que é marca registrada do jornalismo da Folha de Londrina, todo este processo que nos levou à formulação de um modelo próprio de agricultura para o Estado do Paraná. E que resultou na formulação de recomendações para um manejo do solo referenciado a nível de microbacias; nas variedades regionalmente adaptadas com suas sementes de alta qualidade; no conhecimento cada vez mais detalhado do solo e do clima do Estado, com o zoneamento agrícola daí derivado; com as tecnologias de manejo integrado de pragas e doenças que reduzem os impactos ambientais, pelo menor uso de agrotóxicos; com o plantio direto tanto na grande como na pequena propriedade, possibilitando sustentabilidade à agricultura familiar; com os sistemas de produção que viabilizam produtos de importância histórica ou potencial para o Paraná, como o café adensado, a citricultura, a seringueira para o Noroeste, a sericicultura, o novilho precoce e tantas outras tecnologias amplamente divulgadas pela Folha Rural e nossos parceiros como a Emater, cooperativas, associações de técnicos e produtores. Tudo isso configurou a matriz de desenvolvimento econômico e social do agronegócio do Paraná.
Como parte desta história pude acompanhar: de um lado, enquanto o Iapar buscava avidamente novos conhecimentos, resultados e produtos, a Folha Rural tinha sede em divulgá-las. E nesta busca sempre constante por uma agricultura melhor, mais sustentável social, econômica e ecologicamente, estabeleceu-se uma forte parceria entre a equipe da Folha Rural e todo o corpo de pesquisadores do Iapar. Uma parceria que se tornou sólida, baseada no respeito e na admiração, e que diariamente nos motiva a procurar novas e melhores soluções e tecnologias para enfrentar as oportunidades e os desafios do novo milênio.
Na comemoração dos 30 anos, desejamos que a Folha Rural continue a trilhar o caminho de difusão e democratização do conhecimento. Porque conhecimento e informação são hoje o capital maior para a evolução do agronegócio em que se transformou a agricultura e do qual é parte integrante o agricultor, hoje empresário rural no Paraná.
O autor é Diretor-Presidente do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e um dos criadores da Folha Rural.

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