Cláudia Barberato
De Londrina
O cultivo de verduras em hidroponia começou há quatro anos, no período de folga que Luiz Ferdinando Kuchenbecker Jr. tinha como oficial da Marinha Mercante. Quando passava dias ou meses trabalhando em navios ou em plataformas de perfuração de petróleo, Luís pensava num negócio para fazer depois que se aposentasse.
‘‘Procurei um negócio que não fosse só lazer, mas também viável economicamente. A hidroponia se encaixou no que eu procurava’’, resume Luiz, que ainda não se aposentou e trabalha esporadicamente em projetos de perfuração de petróleo. Todo o investimento foi feito com recursos próprios, uma maneira que Luís considera ‘‘mais segura embora tenha que ser feita aos poucos, devagar.’’
Ele mantém uma produção diária de 300 a 350 maços de verduras que são entregues em supermercados de Cambé e Londrina. Mas pretende ampliar o mercado regional e para isso está investindo na construção de uma nova estufa, com recursos que possibilitarão produzir mais. ‘‘O retorno do investimento inicial é conseguido em um ano de produção’’, afirma Luiz.
RentabilidadeCom a hidroponia, segundo Luiz, é possível obter uma lucratividade de 50%. Mas ele avisa que o investimento inicial é alto e a atividade requer dedicação constante. Além de Luiz e Araci, sua esposa, mais três pessoas da família estão trabalhando no negócio, desde a produção até a entrega. A família está morando no sítio há dois anos.
O sítio tem 27 mil metros quadrados, onde foram construídas quatro estufas. A primeira estufa, de apenas 150 metros quadrados, segundo Luiz, foi construída com base em literatura (livros e revistas especializados) sobre o assunto e informações adquiridas em faculdades de Agronomia.
De início o produtor usou materiais mais baratos, como eucaliptos, para a estrutura da estufa. Ao longo dos anos foi aprimorando a atividade e hoje está construíndo uma nova estufa com estrutura galvanizada e tubos de plástico polipropileno com a base achatada, ‘‘para dar maior sustentação às plantas’’, explica o produtor.
Luiz calcula que os gastos com a primeira estufa foram, em média, de R$12,00 o metro quadrado, porque utilizou material mais barato e cultivou em apenas metade da área. Dependendo do material utilizado, o metro quadrado da estufa pode sair por até R$40,00.
Dos iniciais 150 metros quadrados Luiz foi ampliando o número de estufas, num total de 1.800 metros quadrados. A produção maior é de alface, cerca de 200 a 250 maços por dia. Há também outros tipos de verduras: rúcula, agrião, couve-manteiga e salsinha. As verduras são entregues embaladas em sacos plásticos.
O produtor agora está investindo na construção de outra estufa onde deverá dobrar a produção diária da propriedade, de 300 a 350 maços por dia, de todas as verduras, para 600 a 700 maços diários. O objetivo é ampliar não só a área de estufas, mas também diversificar a atividade com outros produtos. Alguns testes já foram feitos com espinafre e há intenção de plantar também o morango. ‘‘A produção de cebolinha não deu certo e vou testar outra vez’’.
Alternativa alimentarA produção diária é entregue a supermercados da região, principalmente em Cambé e Londrina. A lucratividade do negócio chega a 50%, especialmente quando a produção de verduras em sistema convencional, na terra, sofre algum prejuízo com chuvas em excesso ou seca. ‘‘A estufa serve para proteger as plantas e lá dentro podemos controlar água e calor’’, garante Luís. ‘‘Este ano, por exemplo, o clima está atípico para a alface da terra, que só está viabilizando-se com irrigação. Se falta alface cultivada na terra, aumenta a procura pela hidropônica.’’
De acordo com Luiz, a maioria das pessoas ao comprarem verduras, optam primeiro pelo preço, motivo pelo qual o produto hidropônico, que custa em média 20% a mais do que o convencional, ainda não caiu nas graças do consumidor.‘‘As pessoas não têm idéia de como este produto é feito. Além de ter maior durabilidade e aproveitamento, é mais saudável já que não se usa agrotóxicos’’, garante Luiz.
O produtor esclarece que na sua propriedade só utiliza, ‘‘quando necessário’’, produto biológico para combater pragas ou doenças. ‘‘Prefiro descartar ao invés de usar veneno.’’
Como fazer Luiz tem divulgado o sistema hidropônico nas exposições agropecuárias de Londrina e Cambé e também participa nas escolas da região das feiras de ciências. Ele montou pequenos kits de produção hidropônica que empresta aos alunos para experiência. Fez também uma apostila com informações sobre o cultivo.
O produtor dá um conselho para os que pretendem iniciar a atividade: hoje já existem pessoas na região que podem orientar melhor sobre a hidroponia e não é preciso iniciar o negócio ‘‘no escuro’’. O próprio Luiz tem uma produção bem organizada e se mostra disposto a orientar as pessoas interessadas. ‘‘Acredito que há espaço para todo mundo. A união de vários produtores poderia ser benéfica para organizar o mercado e vender melhor o produto.’’
De acordo com as informações na apostila elaborada por Luiz a hidroponia é feita em três fases: germinação, pré-crescimento ou berçário e final (fase que leva 21 a 28 dias). Para a germinação Luiz compra sementes peletizadas, em bolinhas, que são colocadas numa placa de espuma. A seguir estas placas vão para a estufa, no berçário.
Depois de germinadas as plantas são separadas e colocadas nos tubos plásticos, na horizontal ou em pirâmide (sistema que possibilita colocar mais plantas por área), onde recebem os nutrientes necessários para o desenvolvimento. No caso da alface, por exemplo, da germinação até a colheita são necessários em média 45 a 50 dias para produção no verão e no inverno até 60 dias.
No caso da hidroponia a estufa é aliada para evitar excesso de sol, chuva e vento. Mas ainda tem o problema do calor, que Luiz está tentando evitar com a construção de estufas com exaustores para ventilar o ambiente e uma cortina de água, chamada pad house, para manter o resfriamento no local.
Vantagens e desvantagens Redução de custo e de tempo de produção, alta produtividade, mínimo desperdício de água e nutrientes, plantas de melhor qualidade e higiênicas, redução drástica do uso de agrotóxico e retorno rápido do investimento são as vantagens do sistema de hidroponia.
Porém, segundo Luiz, existem também as desvantagens como os custos elevados para implantação do sistema. Além disso, o produtor deve estar atento à falta de energia elétrica. Sem energia não há bombeamento de água e as plantas podem murchar. Outro cuidado é com a qualidadade da água e a vigilância constante da temperatura, pragas e doenças.Oficial da Marinha Mercante troca a vida no mar por cultivo de verduras na água. Ele garante que a lucratividade pode chegar a 50%
Mário CesarLuiz, no ‘‘berçário’’ das plantas, garante que investimento inicial é alto, mas é recuperado em um ano de produçãoDepois da germinação nas placas de espuma, plantas são transportadas para as estruturas de produção, onde recebem nutrientes pela água e se desenvolvem

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