Hidroponia ganha reforço do infravermelho
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sexta-feira, 31 de agosto de 2007
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Uma alface diferenciada, com folhas maiores e em maior quantidade, além de melhor sabor e maciez - esse é o resultado do uso de infravermelho longo na hidroponia. A novidade foi proposta pelo engenheiro agrônomo Oscar Choiti Ogasawara em uma pequena propriedade rural em Mandaguaçu (16 km a noroeste de Maringá). Uma pesquisa feita na Universidade Estadual de Maringá (UEM) atestou a qualidade do produto.
O infravermelho, segundo a bióloga que conduziu a pesquisa, Maria Auxiliadora Milaneze Gutierre, do departamento de biologia da UEM, é uma radiação eletromagnética do sol, não visível ao olho humano, que se subdivide em curto, médio e longo. Neste caso, o infravermelho longo é reproduzido artificialmente, ''claro que sem a mesma intensidade'', através de pastilhas que reúnem alguns minerais como titânio, platina e alumínio. ''Essas pastilhas emitem o raio infravermelho longo em contato com algo, neste caso, com a água'', explica a pesquisadora.
Ogasawara conta que a idéia de usar o infravermelho longo para produzir hortaliças veio do uso dessa tecnologia em colchões magnéticos, que supostamente fazem bem à saúde. ''Eu trabalhava em uma empresa que produzia colchões ortopédicos e pensei - 'se no ser humano, que é 70% água, faz bem, porque não faria para a planta?' A intenção, inicialmente, era fabricar e vender só os kits de infravermelho, mas tive que produzir, para comprovar o resultado'', conta.
No método proposto pelo engenheiro, são colocados cinco ''kits de infravermelho'' no tanque da água que alimenta o sistema de hidroponia. Nestes kits estão as pastilhas de infravermelho - cerca de 2 mil em cada um deles. A água é succionada por um pequeno motor para que entre em contato com as pastilhas e fique magnetizada. ''Em 30 a 40 minutos toda a água está energizada com o infravermelho'', explica o produtor. O sistema funciona 24 horas por dia, segundo Ogasawara, e as pastilhas devem ser trocadas um vez por ano.
A pesquisa feita na UEM, através do Museu Dinâmico Interdisciplinar, comparou os resultados obtidos na hidroponia tradicional com a que fez uso de infravermelho. Durante um ano e meio, em condições controladas de PH e condutividade, foram avaliadas semanalmente amostras de alface e rúcula. Foram avaliados a quantidade e tamanho das folhas, os pesos da raiz, caule e planta, entre outros itens. Foram avaliadas três variedades de alface, lisa, crespa e americana.
A que mais teve resultados positivos, segundo a pesquisadora, foi a alface lisa. Mas todos apresentaram, cerca de 15% a 30% mais resultados nos quesitos pesquisados. Ou seja, a quantidade de folhas foi 30% maior, assim como seu tamanho e peso. ''Não se consegue quantificar, mas as folhas também ficaram bem mais macias e saborosas'', atesta Ogasawara, ressaltando que o produto não é orgânico.
Outra vantagem, segundo o produtor, é que com o infravermelho longo o tempo de produção da alface é acelerado. ''Vai depender do clima. Em Curitiba, que é frio, adianta uns cinco dias no verão e pelo menos uma semana no inverno. Em Londrina e Maringá, que tem clima mais quente, adianta de três a cinco dias. E a cada 1,7 dias que adianta você tem uma safra a mais no ano'', explica.


