Hidrelétricas travam interligação
O diretor de operações da Navegação Meca, Luiz Fernando Horta de Siqueira, reclama que o acesso hidroviário no Brasil é difícil e que muitos trechos ainda não são navegáveis e falta a integração. A Meca, que é uma das maiores operadoras no trecho entre Paraguai, São Paulo e Goiás, tem contratos firmados com vários agricultores paraguaios e brasileiros.
No entanto, a empresa não pode levar os grãos até o destino principal, que é o Porto de Santos, onde a maioria da soja e do milho são embarcados para o Exterior. No caso de exportação via-Santos, somos obrigados a firmar um contrato, onde nos comprometemos a levar a produção somente até Presidente Epitácio (SP). De lá, as mercadorias seguem por meio de ferrovia até São Paulo, explica o diretor de operações da Meca.
A Hidrovia Paraná-Tietê enfrenta duas barreiras para sua operacionalização total: as usinas de Itaipu, em Foz do Iguaçu (PR), e Jupiá, em Três Lagoas (MS). Pelo Rio Paraná, acima da Hidrelétrica de Itaipu, já é possível operar a partir de Hernandárias, no Paraguai, ou Santa Helena, no Paraná, até a barragem de Jupiá, em Três Lagoas (MS). Dalí para frente, o carregamento tem que ser desembarcado, porque não há eclusa. Passada essa barreira, já no Rio Tietê, é possível navegar até Anhembi e Conchas, no interior paulista, e ter acesso ao Rio Piracicaba, na altura de Santa Maria da Serra (SP).
Ainda no Rio Paraná, porém, abaixo da Hidrelétrica de Itaipu, já é possível navegar até Nova Palmira, no Uruguai, com acesso hidroviário até Buenos Aires e Concepecion, na Argentina, e Encarnacion, no Paraguai. Quando conseguirmos a interligação pelas eclusas de Jupiá e Itaipu, será possível navegar de Goiás ou São Paulo até a Argentina, Uruguai e Paraguai sem nenhum problema, prevê o engenheiro Francisco Catarino, chefe de operações da Meca na região do Médio-Tietê, da empresa Meca.
A Meca opera há quase 40 anos no ramo fluvial e há 12 iniciou as atividades em território paraguaio. Em um dos trechos navegáveis do Rio Paraguai, as barcaças da empresa saem de Cáceres, no Mato Grosso do Sul, passam por Corumbá, e vão até Nova Palmira, no Uruguai. A partir desse ponto também é possível fazer a ligação até Buenos Aires, Concepción e Encarnación.(A.F.)





